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Introdução à Ergonomia Página 10 Prof. Mario Cesar Vidal

forto dos soldados, marinheiros e aviadores". Os trabalhos desses grupos foram voltados para a adaptação de veículos militares, aviões e demais equipamentos militares às características físicas e psicofisiológicas dos soldados, sobretudo em situações de emergência e de pânico. E o que nos interessa particularmente, estes estudos se baseavam na análise e nos estudos dos materiais que retornavam e no relato de seus problemas operacionais. Assim sendo, em seu nascedouro, a Er- gonomia se alimentou profundamente de dados e estudos de manutenção bélica.

Segundo nos relata Iida (1990), os cientistas que haviam participado desse esforço de guerra decidiram continuar a empreitada voltando-se para a produção civil, utilizando os méto- dos, técnicas e dados obtidos para a indústria. Numa precursora forma de extensão universitária, são formados laboratórios universitários para atender a demandas industriais, com sucesso. Em decorrência é formada em 1947 a primeira sociedade de Ergonomia do planeta, a Ergonomics Research Society. Nasce a corrente de ergonomia chamada de fatores humanos (Human Factors Engineering ou HFE ), como uma continuidade da prática acima mencionada em operações ci- vis. Desde então a corrente HFE tem buscado responder à seguinte pergunta: o que se sabe acer- ca do ser humano e que pode ser empregado nos projetos de instrumentos, dispositivos e siste- mas. Em suas interfaces com o operador humano a HFE, até o presente, tem sido baseada em procedimentos experimentais que vão do laboratório clássico para o estudo de fatores humanos em si mesmo até às modernas técnicas de simulação, buscando uma melhor conformação das interfaces entre pessoas e sistemas técnicos. Os principais tratados de ergonomia foram produzi- dos nos anos 60 tendo como dominante a abordagem HFE. Os mais interessantes a nosso ver são Woodson e Conover, (USA, 1966) e Grandjean (Suiça, 1974), aqui lançado pela Editora Quali- mark sob o título “Ergonomia”. Uma compilação acessível destes livros pode ser obtida em Iida, (1991). Para um uso prático de especialistas recomendamos o “Ergonomic Checkpoints” editado pela International Labour Office, em Genebra, com o apoio da International Ergonomics Asso- ciation - IEA

2.5

A ergonomia na reconstrução européia: a análise ergonômica do trabalho

No período do pós-guerra surgiu uma outra vertente da ergonomia, ensejada pelas neces- sidades da reconstrução do parque industrial europeu dizimado. No bojo de um amplo pacto so- cial, o projeto de reconstrução abria uma janela para o estudo de condições de trabalho, tendo como emblema a fábrica de automóveis Renault que, dadas suas características peculiares tornar- se-ia um modelo da nova política industrial francesa7. Esta segunda vertente partiu da seguinte questão: como conceber adequadamente os novos postos de trabalho a partir do estudo da situa- ção existente? Desta preocupação nasce em 1949 com Suzanne Pacaud, a análise da atividade em situação real, resgatada em 1955 por Obrendame & Faverge como análise do trabalho. Estes au- tores preconizavam que o projeto de um posto de trabalho deveria ser precedido por um estudo etnográfico da atividade e mostravam o distanciamento entre as suposições iniciais e o auferido nas análises. A proposta veio a ser formalizada somente em 1966 por Alain Wisner8 já como Análise Ergonômica do Trabalho (AET).

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As ergonomias contemporâneas

A década de 1970 marca a passagem definitiva da análise situada para o campo da ação com uma crescente integração da ergonomia na prática industrial, para o que, foi decisivo o mesmo ambiente que engendra o movimento pela gestão da qualidade. Surge em especial na Europa um conceito novo, a intervenção ergonômica, hoje expressão corrente nos EUA, Japão,

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A Renault efetivamente é a primeira indústria francesa a criar um laboratório industrial voltado para temas de er- gonomia Professor Emérito de Ergonomia do Conservatoire National des Arts et Métiers, Paris, França. Foi um dos princi- pais responsáveis pela formulação e desenvolvimento hodierno do método de Análise Ergonômica do Trabalho, sendo ainda o formulador do conceito e do método da antropotecnologia.

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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