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Introdução à Ergonomia Página 13 Prof. Mario Cesar Vidal

3.2.2 Utilidade

A macroergonomia aparece como uma resposta mais ampla da Ergonomia sobretudo nos Estados Unidos, nos estertores do significativo crescimento da venda de produtos industriais japoneses no mercado americano. As missões de estudo de Juran e Crosby ao Japão, que acabou engendrando o hoje conhecido movimento pela Qualidade Total, revelava uma necessidade mai- or do que um grande esforço normativo de ajuste dos processos. Sem chegar a contrariar as de- monstrações de Woodward (1974), que mostrara que uma mesma tecnologia poderia ser enqua- drada sob diversas formas organizacionais, os principais autores desse campo (Brown Jr., 1980, Hendrick, 1991 e Imada, 1991) sustentam que num agente microeconômico deve-se buscar uma relação de adequação entre a tecnologia e a organização. Não por acaso o ambiente dessa discus- são se dá na Califórnia dos anos 80, quando da vinda de dois pesquisadores para Berkeley oriun- do do Tavistock Institute, um dos centros formuladores do conceito de sociotécnica.

Numa comunicação no Rio de Janeiro, Brown Jr. (1995) assinalou que este processo le- vou os setores estratégicos das empresas americanas a reconhecerem as necessidades de mudan- ças e estas requeriam processos de aceitação e de institucionalização das modificações. Já anteri- ormente Imada (1991) havia sublinhado que os germes da internacionalização da economia - mudança da natureza dos negócios, o crescimentos destes no plano mundial, as mudanças no perfil da mão-de-obra bem como a formidável vaga de introdução de novas tecnologias - uma forma incipiente de Internet, a Bitnet já operava desde 1986 - já estava induzindo as organiza- ções a se converterem em estruturas mais achatadas, com três ou quatro níveis de decisão entre o top e o operacional, orientadas para o funcionamento em rede e essencialmente mais participati- vas. Para Brown Jr. esse novo ambiente é propício para a introdução de conceitos e princípios da Ergonomia , porém numa forma distinta do que até vinha sendo feito (intervenções pontuais e/ou localizadas), mas numa perspectiva de elaboração de programas de ergonomia, incorporada como um valor e uma crença na organização, sobretudo face à imperiosidade de implantação de novas tecnologias num período curto de execução e obtenção de resultados.

3.2.3 Praticidade

Ao longo do CESERG detalharemos uma série de métodos de inspiração macroergono- mica, dentre eles nossa contribuição pessoal, o método negocial e incremental do GENTE/COPPE - MENINGE.

3.3 Antropotecnologia

A Antropotecnologia é a combinação de aspectos ergonômicos e macroergonômicos en- volvidos numa transferência de tecnologia. O termo foi cunhado por Alain Wisner que realizou estudos em mais de vinte países incluindo alguns relativos à realidade brasileira.

3.3.1 Caracterização

A construção da noção de antropotecnologia nasce de uma ação ergonômica numa em- presa petrolífera cuja extração de óleo se dava em distintos países e com leis e costumes diversi- ficados. A empresa encontrava dificuldades para se adequar a este esquema que lhe impunha uma taxa de emprego autóctone para explorar o óleo. “Não conseguimos sequer candidatos a emprego que sejam aprovados no exame admissional”, lamentavam seus dirigentes. E nesta ação ergonômica foi verificada um extremo rigor admissional, o que fazia com que os vários candidatos a emprego terminassem por serem rejeitados. Ocorria que o equipamento - importado

  • -

    exigia um grau de esforço elevado, para o que já seria difícil generalizar este emprego mesmo

nos países de onde advinha a tecnologia. O problema era apenas minimizado por exemplo nos Estados Unidos ou no Canadá pelo fato desta tecnologia já se encontrar implantada há tempos. A ação ergonômica, re-estruturando parcialmente a atividade no derrick e verificando a exigência real de esforço nas ações características do processo, permitiu a flexibilização das normas de contratação, beneficiando a mão-de-obra local.

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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