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Introdução à Ergonomia Página 14 Prof. Mario Cesar Vidal

Os estudos subsequentes em antropotecnologia (Wisner,1985), mostraram os fracassos, parciais ou totais, de muitas experiências de transferência de tecnologia, que se traduziram por baixas taxas de utilização dos equipamentos, uma qualidade medíocre dos produtos, inúmeras panes nos equipamentos, acidentes também freqüentes e patologias técnicas diversas.

Tais problemas têm origens das mais diversas tais como:

  • problemas ligados às condições geográficas, por exemplo : efeitos do clima quente e dos transportes e a qualidade ruim dos meios de transporte (Abrahao, 1986);

  • a instabilidade da distribuição de eletricidade (Aw,1988);

  • dificuldades de obtenção de peças de reposição( Sahbbi, 1984);

  • políticas de manutenção inadequadas e formação insuficiente dos trabalhadores para o uso e manuseio dos artefatos, mentefatos e sociofatos característicos da tec- nologia transferida (Santos, 1985);

  • das regras e práticas de mercado características (Vidal, 1985);

  • das formas de conversa e entendimentos dentro e fora do processo de trabalho (Langa, 1995, Mhadi, 1996).

Ainda segundo Wisner (1985) os processos de transferência de tecnologia são na maior parte das vezes parciais. Os equipamentos são importados, mas a organização, os serviços de manutenção, a formação dos operadores ou técnicos e a documentação que acompanha os dispo- sitivos técnicos é inadequada ou incompleta. O domínio de uma tecnologia transferida só é pos- sível, segundo o professor francês, quando os dispositivos técnicos, a organização do trabalho e a formação dos trabalhadores sofrem um processo global de reconcepção, que leva em considera- ção as dificuldades locais e os recursos naturais e industriais disponíveis como trunfos para manter a variabilidade sob controle (Vidal, 1985). Assim a capacidade do tecido industrial11 de adaptar, ajustar ou reparar os equipamentos, bem como de fornecer peças de reposição, a capaci- dade das instituições de pesquisa de produzir novos conhecimentos, a competência em gestão, a organização do trabalho adotada e as competências dos trabalhadores têm um papel central para

  • o

    domínio das tecnologias transferidas.

      • 3.3.2

        Utilidade

A quase totalidade das pesquisas em Antropotecnologia realizadas no CNAM/Paris entre 1985 e 1991, mostraram que a importação de tecnologia atinge graus de sucesso extremamente diversificados. Aqui mesmo no Brasil temos desde um sucesso absoluto como a apropriação de tecnologia televisiva até um fiasco retumbante como os antigos trens húngaros da ligação ferro- viária Rio - São Paulo. Esta constatação nos coloca diante de uma interrogação: porque uma tec- nologia eficaz nos EUA ou França apresentaria problemas no Brasil? O que deveríamos levar em conta numa análise da tecnologia original? Que providências tomar para garantir o sucesso nesta importação?

A resposta a esse conjunto de questões é naturalmente difícil e qualquer tentativa apres- sada neste âmbito é leviana. Existem muitos casos simétricos ao fracasso, onde a implantação sai bem melhor que a encomenda. Em outros casos, existe a capacidade de apontar soluções origi- nais para nossos problemas como é o caso da tecnologia e da infra-estrutura de motores a álcool, uma produção nacional que mereceria maiores reflexões de caráter histórico. Isto significa que o tema transferência de tecnologia é vasto e complexo e que requer uma metodologia pertinente ao

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Os tecidos social e industrial compreendem os suportes sociais e técnicos que contribuem direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção dos dispositivos técnicos e assim ao domínio de uma tecnologia. O tecido soci- al fornece suportes como o aparelho de formação e o contato com grupos profissionais e orientação técnica. O te- cido industrial fornece a infra-estrutura técnica, ou seja, a rede rodoviária. as peças de reposição e as empresas de manutenção e reparos (Rubio, 1990).

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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