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Introdução à Ergonomia Página 15 Prof. Mario Cesar Vidal

seu estudo.

  • O

    estudo ergonômico de casos onde a tecnologia somente funciona adequadamente no

período da partida do equipamento ou unidade permite esclarecer certos aspectos complexos na transferência de tecnologia. A partida (start-up) é uma exigência dos contratos "turn-key" (lite- ralmente: chave-na-mão) onde a transferência é considerada realizada após a demonstração da capacidade de funcionamento dos dispositivos. Uma equipe do país vendedor é deslocada para o comprador no período de inauguração. Esta equipe é composta por um pessoal experiente tanto para a operação como para a manutenção, assim como, eventualmente, o pessoal da equipe de projeto que introduziu algumas modificações no projeto inicial. Trata-se de uma equipe de ex- cepcional valor, capaz de fazer com que o dispositivo efetivamente funcione. Porém no dia se- guinte do retorno desta equipe, nada mais funciona a contento, uma vez que o pessoal local, que a substitui, está longe de dispor dos mesmos saberes teóricos e práticos, mesmo nos casos onde tenha existido um programa sério de formação e treinamento (o que nem sempre ocorre). A ori- gem deste grave problema se liga à sub-estimativa das atividades cognitivas de controle e de manutenção dos automatismos, das competências requeridas aos operadores e também à insufi- ciente conscientização das dificuldades de funcionamento ligadas à geografia da implantação que já discutimos mais acima. Estes fatos explicam porque, e em que medida, é necessário reconce- ber os dispositivos aos invés de transferi-los.

      • 3.3.3

        Praticidade

        • O

          campo da Antropotecnologia tem sido mais efetivamente um campo de estudos do que

um campo de realizações até porque estas ações não correm isoladamente de outros processos nas organizações. Em geral a compra de tecnologia é um processo estabelecido nos mais altos escalões da empresa ou da organização e a Ergonomia infelizmente não é suficientemente apre- endida nestes espaços de decisão.

4

Campo contemporâneo da ergonomia

A definição hoje internacionalmente aceita (ABERGO, 2000) chama a atenção para três aspectos: o tipo de conhecimento e suas inter-relações, o foco nas mudanças e os critérios da ação ergonômica. A consideração destes aspectos configura contemporaneamente a Ergonomia como uma disciplina de síntese entre vários aspectos do conhecimento sobre as pessoas, a tec- nologia e a organização. Numa boa ergonomia a antropometria física (as dimensões estáticas e dinâmicas do corpo) , a fisiologia do trabalho (o funcionamento de nossos sistemas fisiológicos em diversos regimes), a psicologia experimental (a percepção de sinais, a discriminação de indí- cios, a leiturabilidade de instrumentação) a higiene e a toxicologia (os riscos envolvidos nas ati- vidades) contribuem com a adequação da tecnologia e da organização do trabalho aos trabalha- dores reais. Na realidade, não se pode adequar o trabalho ao ser humano se não se sabe de que ser humano se trata, portanto, que características, habilidades e limitações estamos nos referin- do? E para falar de um trabalhador real, estamos nos referindo a um operador efetivo numa situ- ação bem definida.

Por exemplo, um trabalhador de 1,70 m não tem como alcançar adequadamente uma es- tante situada a 2,20 m do chão. Se o fizer seu manuseio será certamente impróprio podendo cau- sar queda própria ou do objeto manuseado. Vemos aqui que as perdas materiais e os acidentes podem ter a mesma origem. Porém este trabalhador entende que não poderá deixar cair a caixa de lâmpadas que tenta retirar desta estante. Por falta de uma escada ou acessório equivalente pode ser levado a improvisar com o que esteja disponível. O acessório inadequado poderá tam- bém causar os mesmos problemas – ou piores! Vemos aqui que a organização do trabalho tam- bém pode agravar uma inadequação antropométrica que já não tenha sido considerada. E não basta dispor de um acessório fixo para este operador de 1,70 m pois ele pode ser substituído por um de 1,60m no próximo plantão. Imaginem se tivermos que escolher a altura do pessoal como critério de formação de equipes ...

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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