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Introdução à Ergonomia Página 19 Prof. Mario Cesar Vidal

Essas aplicações se destinam primariamente ao projeto de novos postos de trabalho e es- pecificações ambientais. Uma segunda ordem de aplicações tem se situado no campo normativo, com vários trabalhos de ergonomistas sendo incorporados pelos comitês e comissões de normali- zação. Numa terceira linha de aplicações, estudos e propostas de ergonomia têm sido mobiliza- dos para sensibilização das esferas dirigentes, conscientização e envolvimento dos funcionários e mesmo orientações específicas sobre o agenciamento do posto pelos próprios operadores, tal como um operário mais qualificado regula seu equipamento e instrumentos de trabalho. Num último porém crescente campo de aplicações, análises ergonômicos têm subsidiado a elaboração de programas de atividades compensatórias como escalonamento de pausas para repouso, exercí- cios e alternâncias de várias ordens - lazer, yoga, etc.

4.2

Ergonomia cognitiva

A cognição trata da ergonomia dos aspectos mentais da atividade de trabalho de pessoas e indivíduos, homens e mulheres. O olhar do ergonomista não se contenta em apontar caracterís- ticas humanas pertinentes aos projetos de postos de trabalho ou de se limitar a entender a ativi- dade humana nos processos de trabalho de uma ótica puramente física. Nesse movimento de idéias apreende-se - o que os filósofos gregos já discutiam - a importância dos atos de pensa- mento do trabalhador na consecução de suas tarefas. E com isso, apreendemos que os trabalha- dores não são apenas simples executantes, são capazes de detectar sinais e indícios importantes, são operadores competentes e são organizados entre si para trabalhar. E que, nesse contexto, podem até cometer erros.

4.2.1 Caracterização

Errar é humano ! Mas...de quem é o erro? Que erro é esse? Como é que se produziu e como evitá-lo? São as questões para as quais a Ergonomia Contemporânea, particularmente a Ergonomia Cognitiva tenta produzir para eles alguns elementos de respostas. Esses elementos de resposta projetual partem de três premissas básicas e sine qua non:

  • (a)

    como fundamento técnico a rejeição do absurdo que é projetar um sistema de produção a custos vultosos onde as decisões operacionais chaves estejam na dependência de operadores colocados diante de um quadro complexo, do qual não têm os elementos necessários e que se encontram num contexto de elevada solicitação e carga de trabalho. Tão mais complexo e perigoso seja o sistema, tanto mais os operadores devem estar aptos para tomar a boa deci- são nos bons momentos. Esta aptidão deve estar nas pessoas (formação) nos sistemas (tec- nologia) mas sobretudo nas interfaces entre uns e outros (ergonomia);

  • (b)

    como fundamento ético a premissa de que os trabalhadores num processo nem se caracteri- zem como insanos suicidas capazes de realizarem atos absurdos que lhes custe a própria in- tegridade física, mental e espiritual e tampouco como sórdidos sabotadores dos engenhos fí- sicos e sociais que constituem uma dada tecnologia de produção. Nesse sentido a ergonomia pode desapaixonar a questão do Erro humano contribuindo com elementos decisivos para uma perícia eficaz;

  • (c)

    Com fundamento moral, a crença de que as pessoas tentam cumprir seu contrato de trabalho nas situações de trabalho onde se encontram e , exatamente por isso, cabe aos projetistas as- segurar uma situação de trabalho correta. A Ergonomia nesse sentido é indispensável para um bom projeto.

A figura 7 esquematiza o processo cognitivo. Em termos cognitivos o ser humano trans- forma as informações de natureza física em informações de natureza simbólica e a partir desta em ações sobre as interfaces. Sua concepção nos é trazida pelo campo das ciências cognitivas, que visa ao estudo do conhecimento virtual, ou seja , foca o conjunto das condições estruturais e funcionais mínimas que permitem perceber, se representar, recuperar e usar a informação. (Ti- berghien).

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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