X hits on this document

119 views

0 shares

0 downloads

0 comments

21 / 35

Introdução à Ergonomia Página 21 Prof. Mario Cesar Vidal

tendência de integração que parece substituir a filosofia de centralização em voga há bem pouco tempo atrás. Esses dispositivos de cognição compartilhada e distribuída têm se revelado bastante mais eficazes para o tratamento de situações anormais e de emergência. Um exemplo disso nos é dado por Pavard e col. (1998) que desenvolveu um sistema de escuta mútua e de bases informa- tizadas para a defesa civil o município de Essonne, na região metropolitana sul de Paris, França. Com este sistema os diferentes agentes - médicos, auxiliares e bombeiros - podem acompanhar chamadas recebidas por qualquer dos colegas e ir tratando coletivamente o problema : enquanto

  • o

    médico aprofunda informações sobre o estado do acidentado, uma ambulância já é deslocada

pelo bombeiro, conquanto o auxiliar providencia uma internação hospitalar adequada ao caso.

      • 4.2.3

        Praticidade

        • O

          grande perigo do campo cognitivo é seu aspecto fortemente abstrato, na medida que

não vemos o pensamento em si, mas apenas indícios de sua existência nos atos das pessoas. E por essa mesma razão é um campo fértil para mistificações e deturpações, como um recente co- mercial onde uma empresa apresenta um computador que pensa, numa propaganda enganosa. 13

Muitos cientistas e engenheiros buscaram o desenvolvimento de mecanismos e dispositi- vos lógicos capazes de reproduzir esta estrutura em sistemas mais ou menos complexos através de mecanismos de captação de sinais do ambiente (sensores) e dispositivos capazes de produzir as respostas adequadas. Os relativos insucessos dessa corrente chamada de Inteligência Artificial e alguns de seus espetaculares fracassos (explosão da Chalenger, queda do vôo 402 da TAM, etc.) vêm criando uma alternativa que são o desenvolvimento de assistentes, onde os operadores têm a possibilidade de um sistema que os auxilie nas tarefas cognitivas e com isso possam tomar as boas decisões nos momentos certos.

Os assistentes mais freqüentes têm sido os bancos de dados iterativos (data mining), como por exemplo os que auxiliam uma busca por palavra chave, ou alguma outra variável de entrada. Na computação gráfica é cada vez mais freqüente o desenvolvimento de programas de assistência à configuração de layouts gráficos. Poderíamos fazer uma longa lista, mas preferimos sublinhar o que esses programas têm tido de positivo no campo da Ergonomia cognitiva: eles aceitaram o fato de que as pessoas têm um pensamento, capacidade de raciocinar e tomar deci- sões, como por exemplo fazer uma escolha entre possibilidades que lhes são ofertadas.

4.2.4 Aplicação

Um bom exemplo de aplicação da ergonomia cognitiva nos é dado pelo Prof. Maurice de Montmollin (1991) 14. Imaginemos, por exemplo, um trabalhador diante de um terminal numa refinaria. Seu trabalho consiste em monitorar, através do sistema de instrumentação, o anda- mento do processo de refino e, se necessário, fazer as regulações necessárias, ou seja, acionar os dispositivos adequados, através do sistema de controle. Como uma refinaria não pode parar, ela funciona em turnos de trabalho e não esqueçamos, ali são processados materiais combustíveis de alto risco. O terminal em foco, permite monitorar pela tela de vídeo o processo e agir através de comandos do teclado do terminal.

Este trabalhador não está sentado ali, sem fazer nada: ele exerce uma atividade. Ele per-

13

Esta questão merece uma explicação especialista. O aludido programa se baseia numa técnica matemática chama- da de rede neural que consiste numa lógica que transforma uma matriz em outra mediante certas condições. Assim pode-se deflagrar um mecanismo que, uma vez reconhecido um quadro de valores, ordene sua transformação em um outro. Do ponto de vista do processo cognitivo existe aqui tão somente o reconhecimento de um sinal com- plexo e sua transformação numa resposta desejada. Isto não caracteriza um pensamento, mas uma reação com- portamental estímulo resposta, bem ao gosto das teorias do reflexo condicionado de Pavlov. Mesmo sendo um belo avanço tecnológico falar em um computador que pensa é exagerado e extremamente perigoso, se aplicado em sistemas de controle como refinarias, usinas nucleares e outros processos complexos e perigosos.

14

Apropriação livre da passagem introdutória de De Montmollin, M., L'Ergonomie, Editions La Découverte, Co- llection Repères, Paris, 1987.

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

Document info
Document views119
Page views119
Page last viewedTue Dec 06 18:15:50 UTC 2016
Pages35
Paragraphs708
Words18686

Comments