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Introdução à Ergonomia Página 22 Prof. Mario Cesar Vidal

cebe, identifica e interpreta as informações que aparecem no monitor e tenta resolver os proble- mas do processo que aparecem. Por vezes ele comete erros de julgamento, freqüentemente se comunica com outros colegas da sala e de campo. O ergonomista pode aprender, através da aná- lise de sua atividade, muitas coisas sobre os raciocínios empregados por este trabalhador. Ele pode, então, ajudar a melhor apresentar as informações no monitor, a melhor formular os pro- blemas de diagnóstico e de regulação da planta, a conceber uma organização mais condizente com as necessidades de períodos calmos e períodos perturbados, a estruturar uma formação e um treinamento mais adequados, a estabelecer meios e métodos de comunicação entre os diversos operadores.

Vamos agora supor um grupo de operadores numa central de atendimento de um cartão de crédito15. E o que dizermos da atividade de controladores de vôo, de mergulhadores em ma- nutenção subaquática, de pedreiros na construção civil. Enfim, sem alguma forma de raciocínio estas pessoas poderiam realizar suas tarefas? Me parece que não. E não poderíamos ajudá-las a raciocinarem em melhores condições? Eis o desafio da ergonomia cognitiva.

    • 4.3

      Ergonomia organizacional

      • O

        campo da ergonomia organizacional se constrói a partir de uma constatação óbvia, que

toda a atividade de trabalho ocorre no âmbito de organizações. Esse campo que tem tido uma formidável desenvolvimento é conhecido internacionalmente como ODAM (Organizational De- sign and Management), para alguns significando um sinônimo de macroergonomia.

4.3.1 Caracterização

Como já pude assinalar anteriormente (Vidal, 1997), ao se falar de trabalho e organização deve-se distinguir o plano da organização geral da organização do trabalho. A organização ge- ral tem como bases teóricas a teoria das organizações e a logística, buscando especificar a orga- nização produtiva tal como um organismo com vistas à sua atuação no contexto mais geral: soci- al, econômico, geográfico, cultural.

A organização do trabalho, se prosseguirmos na metáfora biológica, trata dos aparelhos funcionais internos de uma organização produtiva e que lhe dão sentido motor. Em termos con- cretos o plano é o da troca de energia entre as pessoas da organização, repartidas entre as energi- as de execução e de controle, ou antes, de como estruturam-se os aparelhos para manusear tais energias (Vidal e al., 1976). A idéia motriz é a de compreender as formas como se dá a cada uma das unidades funcionais as disposições necessárias para a consecução das funções que lhes são imputadas pela organização geral e o conceito subsidiário é o estabelecimento de métodos de trabalho.

Como conteúdo concreto a organização do trabalho envolve ao menos seis aspectos in- terdependentes, quais sejam:

  • i)

    A repartição de tarefas no tempo (estrutura temporal, horários, caden- cias de produção) e no espaço (arranjo físico);

  • ii)

    Os sistemas de comunicação, cooperação e interligação entre ativida- des, ações e operações;

  • iii)

    As formas de estabelecimento de rotinas e procedimentos de produção;

  • iv)

    A formulação e negociação de exigências e padrões de desempenho produtivo, aí incluídos os sistemas de supervisão e controle;

  • v)

    Os mecanismos de recrutamento e seleção de pessoas para o trabalho;

  • vi)

    Os métodos de formação, capacitação e treinamento para o trabalho.

15

Extraído de pesquisas do GENTE/COPPE (Santos, 1999; Frigeri, 1999)

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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