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Introdução à Ergonomia Página 24 Prof. Mario Cesar Vidal

A maior parte dos sistemas de produção, a partir deste modelo deverá funcionar a con- tento. Então se alguém da organização fala em problemas para um consultor externo, e a nível gerencial, trata-se de algo que escapou deste sistema de regulação no down da organização, de algo que saiu do previsto. E sobretudo de algo que a organização julga não dispor de meios - métodos, conhecimentos, técnicas – ou recursos – tempo de resposta, pessoal capacitado, sistema de formação, etc. Ou seja, algo que sabe pouco o que seja, menos ainda como resolver e quase nada como encaminhar. E aí reside a utilidade da ergonomia no campo organizacional: através da modelagem do trabalho real poderá se estudar as cadeias de regulação informal, formalizando e até normatizando alguns desses procedimentos e sobretudo num esforço de codificar toda uma prática informal porém, na maioria das vezes, essencial para o bom andamento da produção.

      • 4.3.3

        Praticidade

        • O

          campo da organização de forma análoga ao campo da cognição tem o sério problema

de tratar com entidades até certo ponto abstratas. Apesar de todo nosso enfoque se voltar para as materialidades da organização do trabalho, essa concretude nem sempre se fundamente numa objetividade plena, e a organização, mesmo para os altos dirigentes e boa parte dos gestores, é percebida e concebida no plano subjetivo. Nesta perspectiva (da subjetividade) a discussão acer- ca da praticidade encontra muitas dificuldades, pois nada mais fácil do que desqualificar uma proposta ou alternativa com argumentos subjetivos.

  • O

    maior problema da praticidade está exatamente no maior recurso de ergonomia organi-

zacional que se dispõe que é o uso de benchmarkings, dado que esta técnica sempre poderá ser contestada pelo fato das organizações serem diferentes em algum aspecto. Nesse sentido não basta que os modelos descritivos e conceituais sejam bem estabelecidos do ponto de vista de método, também é preciso que eles sejam consensuados, aceitos e validados ao menos para uma fração estratégica e significativa na empresa. Essa constatação levou ergonomistas do campo da ODAM a uma saudável discussão sobre um subcapítulo da ergonomia organizacional que é a ergonomia participativa. Nessa acepção se busca agir sobre as representações mentais sobre o que acontece na empresa, buscando substituí-las por modelagens ergonômicas devidamente vali- dadas ao longo do processo de ação ergonômica na empresa, como veremos mais adiante.

Contudo o mais importante no que tange ao aspecto prático é o fato de que a ergonomia, pela natureza de seus métodos e pela estrutura de conhecimento que mobiliza, não busca a apli- cação de soluções prontas nem preconiza orientações absolutas, mas sim o desenvolvimento par- ticipativo de encaminhamentos possíveis na situação a que é chamado a intervir. ergonomia, em termos organizacionais significa fazer a coisa certa, desde o início e de forma tão duradoura quanto estável for a organização mais geral da empresa ou organismo. Não por acaso a ergono- mia tem praticamente desde seus primórdios uma ampla e generalizada aceitação e resultados em meios militares, aerospaciais e outras organizações deste tipo.

4.3.4 Aplicação

As aplicações que o ergonomia pode trazer para o plano organizacional se fundamentam na sabida determinação da tecnologia física sobre a organização do trabalho e as condições de trabalho, elementos que irão compor a equação dos resultados da empresa. As maiores aplica- ções da ergonomia no campo organizacional têm sido :

  • (i)

    Modelagem de processos para a elaboração de cenários e roteiros para as mudanças orga- nizacionais;

  • (ii)

    Análise dos requisitos das novas propostas organizacionais em termos de capacidades, li- mitações e demais características, especificando necessidades de treinamento e de novas competências;

  • (iii)

    Construção de roteiros de implementação para evitar a descapitalização ou desaprovei- tamento do capital de competência (know-how) existente sobretudo no nível operacional;

  • (iv)

    Perícia e prevenção de acidentes.

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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