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Introdução à Ergonomia Página 25 Prof. Mario Cesar Vidal

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Foco e critérios da ergonomia

5.1 Foco

Trabalhar na perspectiva de tecnologia de interfaces resolve o problema básico da ergo- nomia como uma disciplina de síntese e do ergonomista no que tange à sua competência profis- sional. Nos primórdios da disciplina face à ausência desta clareza, muitos ergonomistas se con- fundiram e não sabiam se se transformavam em bons especialistas em pesquisa experimental sobre fatores humanos ou se buscavam fazer avançar a ergonomia no meio industrial e de servi- ços. Muitos não sobreviveram a este dilema e encerraram precocemente carreiras promissoras! No entanto o especialista em interfaces é a pessoa que faz a ponte entre um campo do conheci- mento e outro. Sem ser um especialista em fatores humanos - e existem muitos ma Biomecânica, na fisiologia, na psicologia experimental e mais recentemente no campo da engenharia de siste- mas - tampouco o responsável pela tecnologia ou pela organização, o ergonomista é, no entanto, a pessoa capaz de solucionar a interface. Para isso sua disciplina requer um foco.

  • O

    foco da ergonomia que sustentamos é o de modificar o sistema de trabalho de forma

realista e efetiva. Na verdade tratar-se-á de um processo especialista onde o ergonomista aporta conhecimentos, mas também participativo, onde os diversos saberes técnicos, operativos e de manutenção devem concorrer para implantar uma boa solução. A ergonomia contribui com su- gestões e na condução de um trabalho em equipe trazendo resultados de um estudo da situação e incorporando elementos como os que vimos mais acima.

Num estudo ergonômico foi verificado que um operador de gráfica costumava operar uma máquina de impressão adicionando a seu método habitual, um curioso cacoete de colocar a mão sobre a carenagem a cada ciclo de produção. A sistematicidade com que realizava este gesto chamou a atenção dos ergonomistas. Indagado, o operador não soube explicar o porque. Algum tempo depois o próprio personagem procurou a equipe e comentou que buscara realizar um certo número de tarefas sem realizar o gesto e se apercebeu que esta era a maneira com que controlava a temperatura do equipamento e injetava fluido de refrigeração. Esta constatação abriu caminho para uma correção do equipamento que, dado seu tempo de uso, passara a requerer um controle de temperatura que prevenia paradas. Este controle era absolutamente desnecessário segundo o fabricante. Acontecia que o mesmo havia sido projetado para funcionamento em um regime de produção e em ambiente térmico bem diferente desta realidade, que se pautava por uma produ- ção continuada devido à modificações no processo à montante e por utilização em ambiente não climatizado. A partir da observação dos ergonomistas, do aporte do operador, a engenharia de manutenção pôde tomar providências necessárias.

Assim resumimos este tópico: o foco da ergonomia é viabilizar mudanças no sistema de trabalho a partir de uma compreensão elaborada da realidade da atividade.

5.2

Critérios para a ergonomia

Um professor de engenharia civil ensina aos seus alunos como realizar os quase trinta projetos distintos necessários para construir uma edificação : projeto hidráulico, de instalações elétricas, cobertura, estrutura, vedação. estanqueidade, etc. Nós, ergonomistas porém não dispo- mos de uma lista tão completa, e nem poderíamos! As formas organizacionais mudaram da linha de montagem para o grupo semi-autônomo, as bases tecnológicas dos processos mecânicos para a informática e a mecatrônica, as opções gerenciais de macroestruturas corporativas para redes terceirizadas. Em outras palavras a tecnologia de interfaces que a ergonomia tem como referente concreto de sua produção deve necessariamente acompanhar a evolução tecnológica e organiza- cional. E neste mister forçoso é de se reconhecer que vivemos uma época não necessariamente monótona ! Deste modo as necessidades de ergonomia se ampliaram, uma vez que os campos da Cognição e da Organização não têm crescido em detrimento do campo físico, mas em comple- mento e extensão dessa problemática mais evidente. No meu modo de ver, a ergonomia caminha

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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