X hits on this document

107 views

0 shares

0 downloads

0 comments

26 / 35

Introdução à Ergonomia Página 26 Prof. Mario Cesar Vidal

para a constituição de corpos de especialistas tal como a medicina e a engenharia experimenta- ram num dado momento de sua história. E isto leva a uma grande dificuldade de estabelecer princípios universais, sistemáticas e procedimentos únicos.

Naturalmente poder-se-ia questionar o exagero desta colocação dizendo que, como em toda profissão de objetivo diagnóstico, analítico ou de intervenção - me inspirando na medicina clínica, laboratorial e cirúrgica - o importante não é tanto dispor de uma sistemática, um proce- dimento hiper-estruturado, mas ter assentado princípios e conceitos que permitam levar ao deli- neamento destes sistema em projeto. Muito bem, quais os princípios, quais os conceitos a serem ventilados ao longo de um projeto de interfaces em um sistema de trabalho?

Essa discussão será aprofundada, do ponto de vista conceitual, em outras disciplinas. Por ora nos cabe insistir que o emprego de critérios a principio contraditórios como conforto e efici- ência, ou interdependentes como saúde e segurança, ou ainda derivados uns dos outros como adequação e usabilidade, apenas sublinham o caráter de síntese da ergonomia, necessário para que seja útil - tenha serventia para os projetos tecnológicos e organizacionais - prática - tenha pertinência aos problemas que tratar - e aplicada - que tenha embasamento científico inequívoco.

Trabalhar com os critérios da ergonomia – conforto, segurança, eficiência, confiabilidade e usabilidade - é uma função progressiva, na medida em que todo processo inseguro, passa ante- riormente por um estágio de ineficiência e esta é precedida de uma situação de desconforto. A premissa da ergonomia está em que a ação que visa assegurar um mínimo de conforto nas opera- ções estará realizando prevenção primária tanto a nível de saúde ocupacional como de eficiência produtiva.

  • O

    caso mais latente é o das doenças ocupacionais neuromusculares, conhecidas popular-

mente como L.E.R. Esta enfermidade somente aparece como crise após um longo período de maturação. Neste estágio ela é praticamente incurável e poucas providências podem ser tomadas. No entanto muita coisa pode ser feita nos estágios iniciais, adequando instrumental, mobiliário e procedimentos. O critério de conforto aplicado, evita que haja baixa de eficiência, com o agra- vamento do quadro clínico do trabalhador e com isso se previne o absenteísmo (por doença ainda não declarada) que significa perda de homens-hora. E o mesmo processo irá evitar o afastamento médico que custa à empresa – e cujo reconhecimento pelo INSS está limitado aos casos mais agudos, traduzindo por um período de alternâncias entre licença e repouso bastante longo e pre- judicial para todos. Afinal, tal como é entendido legalmente no Brasil, a função da segurança é prevenir acidentes e doenças - esse sendo exatamente um dos pontos de atrito entre engenheiros de segurança e médicos do trabalho.

6

Ação ergonômica

A ação ergonômica é um conjunto de princípios e conceitos eficazes para viabilizar as mudanças necessárias para a adequação do trabalho às características, habilidades e limitações dos agentes no processo de produção de bens e serviços. Nesse sentido, a ação ergonômica:

  • parte dos fundamentos da ergonomia: ou seja, dos diversos conhecimentos sobre as ca- racterísticas, habilidades e limitações da pessoa humana envolvida num processo de produção – o que constitui o campo da ergonomia física, onde se estabelece uma visão do operador e de seu posto de trabalho como unidades elementares do sistema de traba- lho;

  • se alimenta da abordagem cognitiva do trabalho: ou seja das diversas modelagens sobre a natureza e o processo de tomada de decisão individual e coletiva que requer a execu- ção das atividades de trabalho - o que constitui o campo da ergonomia cognitiva onde o trabalhador é concebido como um agente competente e organizado num sistema de pro- dução

  • se estabelece com foco na organização do trabalho: ou seja busca descrever as ativida- des de trabalho como uma resposta do operador às exigências da produção – o que

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

Document info
Document views107
Page views107
Page last viewedSat Dec 03 11:41:11 UTC 2016
Pages35
Paragraphs708
Words18686

Comments