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Introdução à Ergonomia Página 9 Prof. Mario Cesar Vidal

Ergonomia publicados que temos notícia. Isto não se deu por acaso, pois já haviam alguns estu- dos que permitiam esse tipo de concepção. Os fisiologistas do final do século XIX já haviam desenvolvido uma série de métodos, técnicas e equipamentos que permitiam, finalmente, mensu- rar efetivamente o desempenho físico do ser humano: o esfigmógrafo, o cardiógrafo, o pneumó- grafo (Marey), ao mesmo tempo que se aprofundava o estudo teórico acerca do desgaste fisioló- gico e da energética muscular. Em relativa contemporaneidade a Taylor, J. Amar verificava, de forma experimental os princípios apontados por Taylor, então acusados de falta de embasamen- to. O trabalho de J. Amar, é, nesse sentido, um verdadeiro clássico sobre a fisiologia experi- mental do trabalho. Suas formulações constituem-se no primeiro dos paradigmas da ergonomia:

  • o

    homem como transformador de energia, o motor humano, como o próprio autor denomina.

Esta interpretação mecânica serviu de paradigma científico do início do século até o iní- cio da segunda metade deste século, portanto o período de expansão da base material da produ- ção industrial no planeta. Ela se consolida a partir de 1915 quando, na Inglaterra, foi formado um comitê destinado a estudar a saúde dos trabalhadores empregados na indústria de guerra, uma espécie de assistência técnica ao fator humano na indústria. Esse comitê, formado por médicos, fisiologistas e engenheiros, atacou, na época, uma ampla variedade de questões de inadaptação entre trabalho e trabalhadores envolvidos nessa produção. Estes resultados se mantiveram nos tempos (breves) de paz entre as duas grandes guerras.

Forma-se a ergonomia clássica imediatamente após a segunda guerra, enquanto um disci- plina estruturada a partir da atividade dos grupos citados. A definição de ergonomia adotada por estas pessoas foi a seguinte: ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu tra- balho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia, e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. Esta ergonomia com seu paradigma mecânico/termodinâmico do ser humano foi o desaguar de atividades por- tanto milenares a partir de diversas disciplinas científicas como mostra o quadro abaixo.

Disciplinas formadoras

Autores

Filosofia (cognição) Medicina Fisico-química Fisiologia do Trabalho Engenharia do Produto Organização

Platão, Aristoteles Ramazzini, Villermé, Tissot Lavoisier, Coulomb Amar, Chaveau, Marey Da Vinci, Vauban, Jacquart Taylor , Gilbreth, Ford

Quadro 1 - Principais disciplinas formadoras do pensamento ergonômico clássico

2.4

A ergonomia na II guerra mundial : importância dos fatores humanos

Na II guerra mundial, a falta de compatibilidade entre o projeto das máquinas e dispositi- vos e os aspectos mecânico-fisiológicos do ser humano se agravou com o aperfeiçoamento técni- co dos motores. Foram registradas situações terríveis, agora atingindo tropas e material bélico em pleno uso. Os aviões, por exemplo, passaram a voar mais alto e mais rápido. Os pilotos, po- rém, sofriam da falta de oxigênio nas grandes altitudes, perda de consciência nas rápidas varia- ções de altitude exigidas pelas manobras aéreas, e vários outros "defeitos" no sub-sistema fisio- lógico. Os projetistas não consideraram o funcionamento do organismo em diversas altitudes e submetidos a acelerações importantes! Como conseqüência, muitos aviões se perderam. A perda do material bélico era importante, vultosa e por si só justificaria esforços. No entanto, dado que o treinamento de um piloto levava dois a quatro anos, a perda de um piloto treinado se constituía em perda irreversível no duração da guerra.

Nessas novas circunstâncias foram formados, tanto na Inglaterra como nos Estados Uni- dos, novos grupos interdisciplinares, agora com a participação de psicólogos somados aos enge- nheiros e médicos. Os objetivos eram os de "elevar a eficácia combativa, a segurança e o con-

GENTE - Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias CESERG - Curso de Especialização Superior em Ergonomia.

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