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GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

se preocupasse com isso. O que ele mudou foi o comportamento da diplomacia brasileira, o tom da sua voz, o modo de apresentar seus argumentos. Deu-lhe confiança. Alterou a posição do país no hemisfério e no mundo. E a imagem que de sua pátria tinham os brasileiros.”

Alberto da Costa e Silva, “O Barão do Rio Branco e a modernização do Brasil” in Cardim, Carlos H. & Almino, João. Rio Branco, a América do Sul e a modernização do Brasil. Brasília: FUNAG/IPRI/ IRBr, 2002, p. 288.

Com base no texto, faça um balanço dos novos comportamentos da diplomacia brasileira instaurados pelo Barão do Rio Branco.

Pedro Aurélio Fiorencio Cabral de Andrade (20/20)

A política externa praticada pelo Barão do Rio Branco marcou mudanças significativas tanto em relação à política imperial quanto em relação à dos primeiros governos republicanos. As mudanças de maior profundidade são, grosso modo, a relação com os vizinhos e, principalmente, o deslocamento do eixo diplomático do Brasil, da Europa para os Estados Unidos.

Durante o Império, a política externa tinha caráter marcadamente europeísta, o que se justificava pelos vínculos mantidos pela Coroa com o Velho Continente. A Proclamação da República representou guinada radical: a adesão às propostas norte-americanas, já visível na Conferência de Washington de 1889, era vista como decorrência natural do republicanismo.

Com Rio Branco, todavia, essa orientação de cunho ideológico ganha caráter marcadamente realista. O chanceler partia da análise do cenário internacional dominado pelo imperialismo, no qual apenas a força garantiria a soberania das nações. Diante disso, seria útil estabelecer relação especial com os Estados Unidos, potência emergente nas Américas, o que ajudaria o Brasil a resistir a eventuais pressões européias. Tal relação também daria força ao Brasil nas relações com os vizinhos, as quais preocupavam o Barão, pela singularidade do Brasil perante o conjunto das nações hispano-americanas. O fato de os EUA também serem singulares favorecia tal aliança.

O intuito do Barão do Rio Branco ao se aproximar dos EUA era garantir a plena soberania brasileira e a preeminência do país na América do Sul. Não havia, pois, sacrifício da soberania, o que fica evidente quando se nota que a aliança com os EUA ocorreria apenas se fosse possível. No final de sua chancelaria, Rio Branco chegou a afirmar que entre EUA e Brasil deveria haver competição: a “nobre emulação”. O projeto do Pacto ABC, com Argentina e Chile, resulta dessa visão.

Entre as medidas que evidenciam o apoio brasileiro aos EUA está a contestação da Doutrina Drago, que rejeitava o uso da força na cobrança de dívidas estatais. Rio Branco rejeitou tal tese, a qual fora suscitada contra o incidente das canhoneiras européias que bloquearam a Venezuela, atitude avalizada pelos EUA. Para o chanceler brasileiro, os países americanos deveriam cumprir suas obrigações. Além disso, ele via no aval americano o reconhecimento de que os EUA eram a potência regional, que seria consultada pelos europeus. Por isso, o Brasil aderiu à revisão do monroísmo de Theodore Roosevelt: tal doutrina serviria como proteção contra ingerências européias e foi invocada no incidente

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