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GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

com a canhoneira alemã Panther e nas negociações com o Bolivian Syndicate, quando da questão do Acre.

Quanto à relação com os países vizinhos, estas seriam caracterizadas pela solução pacífica dos conflitos de limites e pela competição com a Argentina pela liderança regional. Os limites com os vizinhos foram, em sua maioria, resolvidos por meio de tratados bilaterais, com aplicação da doutrina tradicional do uti possidetis e do uso dos mapas coloniais. A exceção é a aquisição do Acre da Bolívia, situação em que a doutrina não beneficiaria o Brasil, razão por que foi paga indenização pelo território, já ocupado por brasileiros e que fora concedido a consórcio estrangeiro: o Bolivian Syndicate.

Já as relações com a Argentina foram marcadas por atritos, notadamente por conta do rearmamento da Marinha brasileira, defendido pelo Barão do Rio Branco, mas rejeitado pela Argentina, que via na medida desígnios imperialistas do Brasil. A disputa pela liderança regional se baseava na tentativa de se aproximar dos EUA, os quais tendiam a apoiar o Brasil. Isso fica claro diante da instalação da primeira embaixada norte-americana na América do Sul no Brasil. A oposição à Doutrina Drago também foi causa de atrito.

Esse cenário de rivalidade começa a mudar no final da chancelaria de Rio Branco, com o já citado Pacto ABC, que sinalizava a intenção de reaproximar Brasil e Argentina. Havia ainda a intenção de formar contrapeso aos EUA, o que não se concretizou.

Questão 4

Getúlio Vargas, que no espectro social representava mais que a burguesia industrial, entendia, no entanto, que essa burguesia seria essencial para a instalação de um certo capitalismo humanizado no Brasil. Viu, nesse sentido, mais complementaridade que antagonismo entre os interesses nacionais e o capital estrangeiro. Para Vargas, desde que bem administrado e disciplinado, o capital vindo de fora seria um importante apoio ao desenvolvimento nacional.

Com base nessas visões, enumere duas iniciativas e/ou exemplos em torno dos quais se comprovaria o esforço de construção, na Era Vargas, dessa via associada de capitalismo brasileiro.

Daniella Poppius Brichta (18/20)

O primeiro exemplo da via associada de capitalismo foi a construção, com capital norte-americano, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1942. Para Vargas, a implantação de uma siderúrgica brasileira tornaria o país mais independente das importações, em uma época em que o Brasil exportava basicamente produtos primários e carecia de divisas, viabilizando-se assim a implantação de uma indústria de base no país. Cabe ressaltar que a liberação de fundos norte-americanos (via Eximbank) para a construção da CSN foi fruto da política de “eqüidistância pragmática” (Gerson Moura) do Brasil em relação aos EUA e à Alemanha. A política pendular de Getúlio, que ora inclinava-se para os Aliados ora para o Eixo, espelhava as próprias divisões ideológicas da cúpula do Estado Novo, mas acabou por servir como eficiente instrumento de barganha. Aos EUA interessavam manter o maior país da América do Sul em seu subsistema de poder, garantir o fornecimento de minerais estratégicos e montar uma base militar no saliente nordestino, de importância fundamental na guerra do norte da África. Em contrapartida, o Brasil recebeu o financiamento para a construção da CSN.

Outro exemplo da opção varguista pela via associada seria o Acordo Militar de Assistência Recíproca, firmado com os EUA em 1952 (e denunciado em 1977 no contexto

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