X hits on this document

244 views

0 shares

0 downloads

0 comments

58 / 94

GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

Após a 2ª Guerra Mundial, a conduta diplomática brasileira foi marcada pela crítica aos atentados contra a soberania feitos em nome da “segurança continental”. Com a Operação Panamericana, Kubitschek reformulou em termos políticos aquilo que a CEPAL dissera em termos técnicos. Segundo o presidente brasileiro, a estabilidade política da América do Sul dependia da superação da pobreza e do subdesenvolvimento. Essa concepção foi bem acolhida pelos EUA do presidente Kennedy, que lançou a Aliança para o Progresso, enfatizando a necessidade de combinar legalismo político e desenvolvimento econômico.

No entanto, o desenrolar dos acontecimentos mostrou as contradições da doutrina americana e a dificuldade de um país como o Brasil sustentar posições totalmente autônomas. A Política Externa Independente de Quadros-Goulart rechaçou com veemência uma intervenção no recém-instaurado regime castrista (1959), bem como à instrumentalização da OEA pelos EUA. Em face disso, os americanos buscaram o entendimento com os setores militares dos países sul-americanos. A partir de 1964, é o Brasil que manterá contatos com as ditaduras vizinhas, a fim de aperfeiçoar a repressão política. Desde a redemocratização, porém, a ênfase tem sido no aprofundamento das relações econômicas e políticas, respeitando-se os valores democráticos.

b) Ao fim da 2ª Guerra Mundial, as relações entre o Brasil e a Argentina são tensas. Fala-se mesmo em guerra: convinha aos americanos que os brasileiros destruíssem os focos de simpatia pelo nazifascismo na Argentina. Por outro lado, pesam suspeitas sobre o filocomunismo de Perón, que, no entanto, chegou a afirmar que, num conflito entre EUA e União Soviética, colocar-se-ia ao lado da primeira potência. Com Vargas no poder (1950-1954), os dois países ensaiam uma conciliação, logo abortada pela turbulência política lá e cá.

Durante seus respectivos regimes militares, ambos atravessam uma falta de sincronia entre seus ideais. O governo dos militares argentinos decide tornar-se aliado incondicional dos EUA. O Brasil, ao contrário, aspira à condição de potência, mantendo relação mais altiva com os americanos.

No início da década de 80, com as ditaduras nos dois países chegando ao fim, um episódio trágico dá ensejo à reaproximação: a Guerra das Malvinas (1982). Os argentinos esperavam contar com o apoio dos EUA, que contudo absteve-se de participar do conflito. Dos brasileiros, no entanto, os argentinos obtiveram auxílio. A posição oficial nossa era de neutralidade, mas Moniz Bandeira assevera que ela foi “imperfeita”.

A partir de 1985, os presidentes de Brasil e Argentina (José Sarney e Raúl Alfonsín, respectivamente) deram um primeiro passo no sentido de uma aproximação que, na década seguinte, constituiria o núcleo do Mercosul. Desde que ocorreu esse novo estreitamento de laços, as relações entre os dois países vêm adquirindo um perfil mais cooperativo que de rivalidade. É claro que tem havido altos e baixos nessa reaproximação, mas não há integração econômica inteiramente livre de percalços. Os argentinos, em particular, queixam-se da “invasão” de produtos brasileiros em seu mercado (os da chamada “linha branca”, por exemplo). De qualquer maneira, houve entre Argentina e Brasil, ao que tudo indica, uma tomada de consciência do potencial que terão, se unidos. Esta parece ser, até o momento, a conquista mais sólida obtida pelos dois.

*

Document info
Document views244
Page views247
Page last viewedMon Dec 05 04:53:10 UTC 2016
Pages94
Paragraphs1332
Words41002

Comments