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GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

mais viáveis para atrair capitais privados, atender a nova demanda (nos centros urbanos) e produzir limitado impacto ambiental.

Questão 2

Na Amazônia brasileira, chama a atenção o elevado índice de população “urbana” presente na região. Como se pode explicar tal fenômeno?

Igor de Carvalho Sobral (20/20)

Segundo Bertha Becker, analisando geopoliticamente a Amazônia na atualidade, a floresta amazônica pode ser considerada uma “floresta urbanizada”, uma vez que cerca de 61% da população da região amazônica vive em cidades. As causas deste elevado índice de população urbana são diversas.

Em primeiro lugar, atente-se para a estrutura fundiária da região amazônica. Essa estrutura apresenta-se bastante concentrada, o que acaba por “expulsar” para as cidades os migrantes e as populações ribeirinhas que vivem da agricultura familiar de subsistência. Uma das causas da concentração fundiária na Amazônia é o fato de a agricultura da região ser cada vez mais mecanizada, por exemplo em relação à soja e à exploração de madeira. Estas duas atividades, bem como a pecuária, estão provocando o deslocamento da população amazônica para a parte norte da região. Não por acaso as regiões Sul e Nordeste da Amazônia correspondem ao chamado “Arco do Desflorestamento”, que compreende os estados de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins (parte oriental), sul do Pará e parte ocidental do Maranhão.

Em segundo lugar, como decorrência da estrutura fundiária concentrada, estão as intensas disputas por terras na região amazônica, que fizeram como vítima a missionária americana Doroty Stang recentemente. Fazendeiros, grileiros, posseiros e seringueiros ganham espaço e força, em detrimento das populações de agricultura familiar, aumentando a concentração fundiária e a população urbana.

As terras da Amazônia estão distribuídas da seguinte forma: 22% de terras indígenas, 6% de Unidades de Conservação (mais que a média nacional de 2%), reservas extrativistas, áreas privadas e ainda quantidade considerável de terras públicas e devolutas, o que facilita a atuação de posseiros e grileiros e o uso político das terras. Muitas propriedades que pertenciam aos estados foram tomadas pela União. O estado que mais perdeu foi o Pará.

Em terceiro lugar estão as iniciativas governamentais (ou a falta delas), que durante anos não atenderam às demandas da população amazônica por projetos endógenos que levassem em conta as particularidades locais e a participação efetiva da população. Os projetos governamentais foram, em sua maioria, executados “top-down”, o que de certo modo ajudou na urbanização da floresta amazônica. Mas essa realidade enfrenta novas perspectivas em projetos recentes como o PAS, Programa Amazônia Sustentável, que prevê novas formas de financiamento para a infra-estrutura regional, inclusão social, contando com a participação de quinze ministérios.

A criação da Zona Franca de Manaus na década de 1960 pode ser considerada outro importante fator para a urbanização da população amazônica, ao atrair mão-de-obra para as indústrias então instaladas na região manauense ou manauara. Atualmente, entretanto, verifica-se certa perda de hegemonia econômica das cidades de Manaus e Belém, dando lugar à importância crescente de cidades como Santarém e Marabá.

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