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GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

O escopo da política sul-americana se, por um lado, é flagrantemente comercial – para garantia de competitividade -, por outro, não negligencia o pilar fortemente político, do qual é exemplo a cláusula democrática do Mercosul, acordada no Protocolo de Ushuaia, de 1998, e a Comunidade Sul-Americana de Nações, comprometida e afeita aos valores da democracia, da governabilidade e da estabilidade regional.  

Dados os objetivos, justificáveis em meio à integração européia, norte-americana, africana e asiática, já se verificam resultados, como a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que já identificou 10 eixos de integração e desenvolvimento nas áreas de transporte, energia e comunicação, os quais contam com financiamentos do BNDES e da CAF.

Questão 2

O Brasil vem-se empenhando na participação simultânea em grandes processos de negociação comercial. Identifique-os e caracterize-os quanto à sua importância para o País, ao potencial de ampliação de oportunidades comerciais, ao seu atual estágio e às perspectivas imediatas de sua evolução.

Ricardo Morais Barros (20/20)

O Brasil vem atuando ativamente em vários processos de negociação comercial. A estratégia brasileira é consolidar a posição de “global trader”, abrindo diferentes frentes de oportunidade, ao mesmo tempo em que se resgata o legado histórico da diplomacia de associar comércio internacional e desenvolvimento socioeconômico. O Mercosul foi escolhido como “motor” do processo de inserção interdependente do país, sendo a Argentina o principal parceiro. O Brasil busca abandonar as negociações de “reciprocidade fictícia” ao conceder somente se houver ganhos, resgatando, pois, o conceito de interesses nacionais sem, contudo, criar confrontamentos no cenário internacional.

Durante as negociações da Rodada Doha, na OMC, o Brasil articulou a criação do G -20, a fim de pressionar os países ricos para que abram os mercados internos e parem de subsidiar os produtores agrícolas locais. Os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos distorcem o comércio internacional, afetando, sobretudo, os países pobres. Na reunião de Cancun, chegou-se a um impasse, pois, até a criação do G – 20, EUA e UE definiam, bilateralmente, qual era o “consenso possível”. O “fracasso de Cancun” levou ao relativo êxito da reunião de Genebra, em julho de 2004, na qual os países ricos se comprometeram a reduzir, gradualmente, os subsídios para o setor agrícola. O G – 20 e o Brasil, contudo, esperam maior compromisso nesse sentido, visto que, no âmbito do GATT, negociou-se por quase meio século a abertura comercial para produtos industrializados, postergando a abertura de bens agrícolas. A atuação do Mercosul e do G – 3, ou IBRAS (Brasil, Índia e África do Sul), foi fundamental para a consolidação e fortalecimento do G – 20. As possibilidades de ganho para o Brasil, no âmbito da OMC, são controversas. Se, no curto prazo, o fim dos subsídios ajuda a melhorar ainda mais a balança comercial brasileira, o avanço das exportações agrícolas, no longo prazo, pode representar um regresso ao modelo agro-exportador, ou o que Amado Cervo chama de a “infantilização” do retorno ao setor agrícola.

Outro importante processo negociador foi o de construção de uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Os Estados Unidos vem enfrentando na era Bush déficits gêmeos (balanço de pagamentos e déficit público), e a ALCA seria uma forma de reduzir os déficits comerciais. O Brasil tem interesse de negociar um acordo hemisférico que envolva os

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