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GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA

delas associável a um interesse brasileiro de política externa: (a) política; (b) econômico-comercial; (c) cultural.

Sob o ponto de vista político (a), a Cúpula coroou esforço empreendido pelo governo Lula de aproximar as regiões, estabelecer laços de cooperação política e defesa de interesses comuns. Tal foi, em grande parte, o sentido de sua viagem, em 2003, a Líbia, Egito, Síria e Emirados Árabes. A iniciativa reforça os laços de cooperação sul-sul, tal qual preconizado desde a Conferência de Bandung de 1955 e pela Política Externa Independente de Afonso Arinos de Mello Franco, San Tiago Dantas e Araújo Castro. O apoio dos 22 países árabes presentes à ASPA seria ativo diplomático importante em qualquer foro internacional.

Como fruto dessa aproximação,o Brasil é o primeiro país latino-americano admitido como observador na Liga Árabe. O País angaria, ainda, a simpatia de muitos deles em seu pleito por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ainda da seara política, convém mencionar que a Carta de Brasília é, fundamentalmente, um documento político. Contém ela a condenação de medidas unilaterais (dos EUA) contra a Síria, faz forte apelo à paz e pela desocupação dos territórios palestinos, e prega a desnuclearização. Esses temas, espinhosos, são caros aos árabes; mas foi possível deles tratar, reiterando resoluções da ONU: o que parecia temerário declarar tornou-se prestígio ao multilateralismo, bem recebido pelos EUA (apesar de lhes ter sido negada a condição de observador da ASPA). Convém, quanto aos alegados riscos políticos de tal encontro, lembrar a advertência de Amado Cervo: “nada de importante em política internacional se faz sem riscos”.

Quanto a (b) aspectos econômicos-comerciais, os países árabes reúnem um PIB de US$ 815 bilhões, e detêm grandes jazidas de petróleo. A aproximação com os países árabes é importante para a ampliação da diversidade de parceiros comerciais do Brasil, tornando o País menos suscetível a desequilíbrios momentâneos e a dependência. Trata-se de mercado potencial para inúmeros setores da economia brasileira, como construção civil, avicultura e produtos agrícolas diversos.

O mundo árabe é cortejado há tempos por China, Japão, EUA e UE. É região dinâmica, rica e estratégica. Ao Brasil, trata-se de momento favorável para a aproximação, diante da postura desgostosa da Liga Árabe, da União do Magreb Árabe e do Conselho de Cooperação do Golfo em relação à política externa norte-americana (em especial em função da Guerra do Iraque). Abre-se, assim, espaço para acordos simétricos, como os que foram gestados na ASPA: acordo Mercosul-Conselho de Cooperação do Golfo (que reúne seis importantes países do Oriente Médio), acordos Mercosul com Egito e Marrocos, além de acordos privados, na medida em que mais de 800 empresários estavam presentes. Destaque-se, ainda, encontro paralelo entre Kirchner, Chavez e Lula, que avançou nas negociações da Petrosul, que reuniria petrolíferas dos três países.

Assim, a ASPA atende a interesses brasileiros econômico-comerciais, pois pulveriza parcerias, estabelece relações simétricas e, ainda que se alegue que não substitui, desonera negociações de Alca e Mercosul-EU, sendo alternativa ainda que parcial.

A (c) vertente cultural é igualmente importante. O Brasil abriga enorme colônia árabe e, ao liderar a iniciativa da ASPA, contribui para o diálogo cultural e firma-se como líder legítimo do continente sul-americano. O encontro insere-se nos objetivos do GADN (“Global Agenda for Dialogue among Nations”), aprovada na ONU (Resolução 56/6, de 09 de novembro de 2001). De fato, a ASPA concretiza um “diálogo de civilizações”, que credencia o Brasil como interlocutor de variados grupos que, como país de imigração, acolheu.

Resultados importantes desse encontro foram o projeto de um Centro de Cultura Sul-Americano, a ter sede no Marrocos, e da concepção de uma Biblioteca Árabe-Sul-Americana.

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