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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 12 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.12

educação física e em particular como professor de karate, busco uma educação integral de meus alunos e em especial uma formação baseada no caráter e na não violência, para que estes possam ser cidadãos conscientes e cultivadores de um mundo de paz e harmonia.

Entendemos aqui por cultura, segundo Mosquera e Stobäus (1984, p. 15), “a modificação do ambiente feita pelo homem e compreende todos os bens materiais assim como espirituais da sua invenção”. A cultura nos leva a entender que em cada lugar o homem cria maneiras peculiares de adaptar a natureza a si mesmo, bem como ele se adapta à própria natureza. Os mesmos autores também destacam que o desporto é cultura, assim como o praticar o desporto significa desenvolver cultura.

As diferenças culturais entre o ocidente e o oriente são por todos bastante conhecidas. Barbier (apud BERTRAND, 2002) as coloca através de duas metáforas, a da pedra e a da água, que nos falam sobre a ocidentalização e a orientalização do mundo.

A metáfora da pedra ou da ocidentalização do mundo nos mostra que a pedra foi o primeiro instrumento da vontade do homem de transformar o mundo, de dominá-lo, pois ela foi, ao mesmo tempo, a primeira arma e a primeira ferramenta do homem. A pedra é dura e estável, mas tem horror aos extremos, às provocações, às mudanças bruscas e incompreensíveis. Com o tempo, ela se transforma em grão de areia e seu universo em um deserto. O paradigma subjacente à metáfora da pedra, ou da ocidentalização do mundo, é de acordo com Barbier (apud BERTRAND, 2002, p. 140), o da fragmentação, da trituração separando tudo o que existe”.

A metáfora da água ou da orientalização do mundo nos mostra que a água é uma substância radicalmente ligada e unificada, pois nenhuma onda do mar existe separada do conjunto do oceano. Ela é uma substância de bem estar, indispensável a toda forma de vida, como também uma substância receptiva que acolhe outros elementos. Parece ser dócil e fraca, mas é capaz de todos os desvios diante de um obstáculo, e, às vezes, é tempestiva quando queremos canalizá-la ou domá-la. O paradigma subjacente à metáfora da água é, segundo Barbier (apud BERTRAND, 2002, p. 141), o da capilaridade, pois:

Ela supõe uma visão do mundo formada de redes interativas onde cada elemento somente pode ser compreendido através de sua inserção dentro de uma totalidade dinâmica, um campo de relações e uma tomada de consciência de uma outra ordem diferente da consciência de.

Esta visão de um mundo mais espiritualizado foi desenvolvida há milênios não somente pelos povos do oriente, mas, também, pelos povos da África e pelos povos ameríndios. No ocidente, atualmente, já se começa a procurar por uma cultura mais espiritualizada, mas essa ainda se encontra reduzida praticamente ao meio acadêmico, enquanto no oriente ela está difundida em todos os meios, inclusive no popular. Portanto de acordo com Barbier (apud BERTRAND, 2002, p. 142) “devemos substituir a eficácia ocidental a qualquer preço pelo sentido simbólico e a solidariedade comunitária em escala planetária”.

Gadotti (2002, p. 21) ao escrever sobre o pensamento pedagógico oriental nos mostra o aspecto espiritualista e não agressivo da educação nestes países quando relata que “o oriente afirmou principalmente os valores da tradição, da não-violência, da meditação”. Valores estes ligados,

sobretudo, à religião, que entre as quais se destacam o taoísmo, o budismo e o hinduismo.

  • O

    karate está mais baseado na religião budista, embora também receba grande influência dos

princípios do taoísmo, do confucionismo e do hinduismo. Segundo Gadotti (2002) a doutrina

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