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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 14 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.14

Confúcio também realçava a capacidade da educação para melhorar a sociedade e ensinar a cidadania. O seu ideal político consistia em governar o Estado pelo exercício das virtudes morais, cujo desenvolvimento competia à educação.

2. As elevadas expectativas a que os jovens devem responder. Há no oriente altos padrões de escolaridade e de alfabetização, nos quais uma das principais maneiras de ascensão social é através da educação. A atitude desses jovens com relação à educação, de acordo com Morita (apud DEBARBIEUX e BLAYA, 2002, p. 98), evidencia “um alto nível de confiança e expectativa, e

resulta que a educação exerça um efeito positivo sobre a moralidade e a ética, o que, por sua vez, desenvolve a tendência a tentar resolver os problemas interpessoais de forma razoável e lícita”.

3. A primazia do grupo sobre o indivíduo é outro fator retratado por Nanzano (apud DELORS, 2003, p. 259) quando comenta que: “no decurso dos séculos, os intelectuais chineses permaneceram

fiéis ao ideal ético que prescrevia: suportar os males do mundo antes de qualquer outra pessoa e gozar os prazeres da vida só depois de todos os outros o fazerem”. Esta atitude comunitária do povo asiático testemunha o fator determinante de produtividade econômica e de coesão social.

4. A importância dada à dimensão espiritual do desenvolvimento, mais do que a dimensão material. No oriente enfatizam-se as conexões humanas entre as pessoas, suas relações com todo o tipo de vida, opondo-se ao materialismo da cultura ocidental moderna. A dimensão espiritual, s e g u n d o S c h a e f e r ( 2 0 0 3 , p . 1 9 ) , p e r m i t e a h a r m o n i a e n t r e o q u e s e p e n s a , s e n t e e f a z , e e s t e

equilíbrio é um passo significativo na reconstrução do agir como pessoa e profissional”.

5. Todas as correntes filosóficas, sejam os preceitos de Confúcio, seja a elevação pessoal pregada pelo taoísmo, ou a ambição da escola idealista de preservar o racional desembaraçando-se dos desejos mundanos, têm em comum corresponderem no essencial, a uma moral humanista, que considera o ser humano do ponto de vista ético e político e para a qual o indivíduo só pode realizar-se nas relações com a coletividade. Ainda, atualmente, nos seus esforços de modernização, muitos países asiáticos têm como duplo objetivo do desenvolvimento nacional, a construção de uma civilização ao mesmo tempo espiritual e material e contam com a contribuição ativa da educação para o conseguirem.

6. A legitimação da autoridade. A autoridade exercida pelos pais, no lar, e pelo professor, na escola, é uma das razões da rigorosa disciplina revelada pela maior parte dos alunos asiáticos. O respeito pela autoridade é particularmente propício a um saudável crescimento econômico, quando o governo cria um ambiente político favorável à livre iniciativa e à livre concorrência. A ordem pública nas comunidades locais, conforme Morita (apud DEBARBIEUX e BLAYA, 2002, p. 99), “é mantida de fato por meio de sistemas que funcionam em estreita colaboração com a comunidade local, visando à prevenção da criminalidade”.

Nanzhano (apud DELORS, 2003) aponta como aspectos negativos das tradições culturais asiáticas que constituem obstáculos ao desenvolvimento da educação e da economia a pouca atenção prestada ao indivíduo, a maior atenção dada às relações sociais do que ao domínio da natureza, a discriminação em relação às mulheres e o desprezo do pragmatismo, do utilitarismo e dos negócios. A elite instruída ficava apta a governar devido apenas à sua moralidade superior, sem necessidade de adquirir quaisquer outros conhecimentos ou competências práticas. Tudo o que apresentava valor utilitário era desprezado e o negócio era considerado como uma atividade subalterna.

  • O

    educador coreano Myong Won Suhr (apud DELORS, 2003), no relato Abertura de Espírito

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