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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 15 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.15

para uma Vida Melhor, nos traz reflexões sobre as razões que devem levar os sistemas educativos mundiais a preocuparem-se com a abertura do espírito das pessoas e a ajudarem-nos a viver em harmonia com os outros e com a natureza como busca os fundamentos educacionais orientais. Sublinha também a importância da compreensão mútua entre oriente e ocidente para a paz mundial.

Suhr (apud DELORS, 2003) nos coloca a dificuldade, até a muito pouco tempo, da aceitação dos conhecimentos ocidentais e sua simbiose com os conhecimentos orientais, pois no oriente estava muito difundida a idéia de que a cultura ocidental era materialista, enquanto a cultura oriental era ética ou espiritual e em geral superior, e que por isto devia-se limitar a adquirir os conhecimentos científicos e tecnológicos do ocidente evitando os outros aspectos da cultura. Porém, este postulado geral estava equivocado, pois somente compreendendo a lógica, o pensamento crítico e a curiosidade do ocidente pelo desconhecido, os seus métodos experimentais para descobrir a verdade e a sua maneira objetiva de encarar os problemas é que se pode apreciar sua cultura.

  • O

    autor ressalta que a educação espiritualista oriental apesar de conceber o ser humano dotado de

uma melhor concepção moral dificultou por outro lado o progresso material. No oriente, os antepassados não quiseram dominar a natureza, por pensarem que era essencial viver em paz e em harmonia com ela. Na medida que consideravam os seres humanos como parte integrante da natureza, nada havia a combater, a dominar ou a conquistar. Estas atitudes vigoraram durante séculos e retardaram, de certo modo, o progresso material, devido ao ritmo muito lento da evolução da natureza, enquanto o ocidente, por seu lado, não hesitava em tornar-se senhor da natureza realizando, assim, mudanças mais rápidas.

Os seres humanos, portanto, e mais especificamente os sistemas de ensino devem cultivar os valores universais, fundando uma ética mundial, e promoverem, pela educação, o enriquecimento recíproco das culturas do ocidente e do oriente. Quando estes forem capazes de aprender um com o outro para proveito mútuo, e quando cada um adotar o que o outro tem de melhor, os valores universais que invocamos provavelmente se imporão, tendo no desenvolvimento centrado no ser humano, a finalidade última da educação e da sociedade.

Desde Confúcio até os pensadores contemporâneos, os orientais sempre apreciaram e perseguiram o ideal de um mundo unido e harmonioso, e de uma sociedade humana coerente, baseada na paz universal.

Finalizando estas idéias devemos lembrar que, na cultura oriental, os esportes de combate recebem o maior apoio e são vistos como artes que educam o ser humano. Esse aspecto educacional é a base das artes marciais, a violência não existe, o que existe é uma luta interna consigo mesmo contra suas fraquezas. Os golpes são o lado de fora, quando o que realmente está se treinando é o que está por dentro. No karate aprende-se parte da filosofia oriental, o zen-budismo, a força interior, o pensamento oriental, tudo inserido no dia-a-dia dos treinamentos.

      • 2.1.2

        O KARATE: UMA ARTE MARCIAL ESPIRITUAL

        • O

          karate é uma arte marcial, baseada na filosofia oriental, na qual busca-se o aprimoramento

físico e mental unido ao espiritual, por meio de movimentos sincrônicos e sistemáticos, previamente elaborados com métodos e técnicas especiais, utilizando golpes com todas as partes do corpo, principalmente mãos e pés, que conduzem ao praticante, gradativamente, certa concentração mental, ordem íntima, vida saudável, e, sobretudo, um bom relacionamento em todas as atividades humanas.

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