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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 17 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.17

consigam atingir os níveis superiores.

Os dois primeiros estágios são voltados para o conhecimento do potencial físico do indivíduo, e é onde o iniciante tem seu primeiro contato com a arte marcial. O aspecto físico é a base para os estágios posteriores e por isso deve ser bem conscientizado em todas as suas potencialidades. Embora sendo uma parte importante, a mídia, infelizmente, lhe dá um reconhecimento exagerado, fazendo com que a arte marcial, muitas vezes, seja vista, apenas por essa parcela diminuta de sua totalidade.

1. O corpo: neste estágio, o praticante de artes marciais desenvolve, por meio de exercícios de ginástica geral, o seu condicionamento físico, melhorando a resistência, a força, o equilíbrio, a flexibilidade, a velocidade, a potência e a coordenação, e, principalmente, começa a conhecer melhor

  • o

    seu corpo físico para depois poder dominá-lo.

Segundo Sasaki (1978, p. 8), “o corpo deve ser forte, rápido, flexível, resistente, rico em reflexos, assimilando todas as modalidades de técnicas. Deve se ter o uso total do corpo,

descarregando as agressividades e tensões nervosas acumuladas”.

2. A técnica: essa é a fase em que acontece o desenvolvimento das seqüências de golpes propriamente ditos. Este estágio só é bem sucedido se o anterior foi bem desenvolvido.

A técnica é desenvolvida no karate, principalmente, através do kihon (treino de base), do kata (treino de formas) e do kumite (treino de lutas).

Mosquera e Stobäus (1984, p. 30) nos assinalam que: A atividade desportiva requer domínio de técnica de execução de exercícios físicos do desporto selecionado. É também para o desportista treinamento especial sistemático, durante o qual assimila e aperfeiçoa determinados hábitos motores, desenvolvendo qualidades necessárias para praticar

  • o

    desporto que é de seu interesse.

Na espiral é importante observar que cada estágio sucessivo incorpora o anterior e a ele acrescenta alguma nova capacidade, ou seja, cada novo estágio transcende e incluiu em sua estrutura

  • o

    seu anterior. No processo de nossa evolução, de nossa transformação, integramos os diferentes

níveis de consciência pelos quais passamos, conforme relata Wilber (2002, p. 23), ao conceber que cada onda da existência é um ingrediente fundamental de todas as ondas subseqüentes e, por isso, cada uma delas deve ser acolhida e abraçada”.

Esta imagem de que o estágio de cima apóia-se sobre o de baixo mostra que, conforme Leloup (2002, p. 23), “quanto mais alto quisermos subir para a luz, mais profundamente enraizados na

m a t é r i a d e v e m o s e s t a r , m a i s p r o f u n d a m e n t e d e v e r e m o s m a n t e r j u n t o s a t e r r a e o c é u .

Os três estágios seguintes colocam a consciência do praticante de artes marciais a dar mais importância para os aspectos de domínios mentais, fazendo que esses englobem o lado físico e material. Nestas fases ainda predominam as conquistas sobre o eu individual, pois os objetivos a serem alcançados ainda estão na esfera do domínio de si mesmo, ou seja, do domínio de seu corpo e da sua mente.

Conforme Sasaki (1978, p. 7):

A mente deve ser livre, clara, ampla e equilibrada. Não pode se tornar tensa e nem totalmente relaxada, sem se prender a nada, e sim calma, tranqüila; à vontade, não parando por nenhum instante [...]. Sua mente não deve se tornar turva, para que possa captar a imagem correta e conduzir o seu pensamento a uma posição mais nobre.

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