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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 18 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.18

  • 3.

    A disciplina: neste estágio, a consciência percebe que não basta ter o conhecimento do corpo e

    • o

      domínio das técnicas se não tiver uma disciplina que coloque sempre o pensamento sobre a ação.

Aprende que essa disciplina deve ser uma força que venha de seu interior e não um simples seguir ordens de seus superiores.

4. O domínio: nesta fase, mediante técnicas mentais, começamos a dominar as sensações, como cansaço, frio, calor e, principalmente, dor. A mente passa a dominar o corpo.

Os treinamentos como, por exemplo, os katas (formas) do karate, visam mais ao desenvolvimento orgânico e interior, do que simplesmente às técnicas de luta.

5. O controle: aqui a harmonia do me ntal com o físico deve atingir sua maturidade. O nosso controle mental sobre o físico proporciona fazermos reflexões antes de agir diante dos mais diversos conflitos. A visão da arte marcial de uma luta contra os outros passa a ter uma conotação de luta consigo mesmo, de autocontrole, de domínio de nosso maior inimigo, que somos nós mesmos.

Os últimos estágios a serem alcançados são os que predominam a visão espiritual sobre a material. Principalmente para os ocidentais, esses estágios são de difícil aceitação e compreensão. O domínio de si mesmo passa para uma dimensão coletiva e busca-se uma harmonia com o mundo. Podemos considerar como estágios de segunda ordem conforme analogia com a espiral da consciência de Wilber (2002, p. 23):

A segunda ordem está plenamente consciente dos estágios interiores de desenvolvimento – mesmo que não possa articulá-los de maneira técnica – ela dá um passo para trás e tem uma visão geral do todo; por isso o pensamento de segunda ordem valoriza o papel necessário que todos os vários memes (estágios) desempenham. A consciência de segunda ordem pensa em termos de toda a espira da existência e não meramente em termos de qualquer um dos níveis.

6. A reflexão: neste estágio, procura-se, principalmente, por meio da meditação, conhecer o nosso eu em conformidade com o nosso mundo; ver o nosso interior e harmonizá-lo em todas as atividades desenvolvidas no nosso cotidiano. A meditação segundo Barbier (apud BERTRAND, 2002, p. 151) é “a prática incessante, surgindo de momento a momento, da atenção, da extrema

presença no mundo, aberta para a lucidez e consumada na alegria de ser”, portanto devemos saber

viver e meditar no silêncio das grandes essências sem imagem nem conceito, antes de qualquer ação ou palavra.

7. O yin/yang: nesta fase, a reflexão procura sempre atuar com a consciência de que nada é absoluto, tudo tem sempre dois lados que atuam em oposição, não existe uma só verdade, portanto devemos refletir sempre com uma visão não comprometida com nenhum extremo para chegar mais perto de um resultado harmônico. Para os orientais todas as manifestações são geradas pela inter- relação dinâmica dessas duas forças polares.

Ao explicar este princípio, Chug (1999, p. 75) aponta que “todos os opostos – bem e mal, ter e não ter, ganhar e perder, eu e os outros – dividem a mente. Ao aceitá-los nos afastamos de nossa

m e n t e o r i g i n a l e s u c u m b i m o s a e s s e d u a l i s m o . C o n t u d o , o z e n f i c a n o m e i o , n ã o n e s s e s e x t r e m o s .

  • O

    símbolo do yin/yang, representado pelos opostos polares e complementares, é bem conhecido

no ocidente. Este diagrama representa, de acordo com Gerhardt (2005, p. 261),

duas forças em equilíbrio, e os pontos, a idéia de que toda vez que cada uma das forças atinge

  • o

    seu ponto extremo, manifesta dentro de si a semente de seu oposto”.

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