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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 20 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.20

Nossos sentimentos, assim como nossas reações, devem ser por nós dominados. O nervosismo, a ansiedade, e, quem sabe, a excitação e a falta de consciência para o momento certo do ataque faz com que transpareça um estado de ansiedade e nervosismo, podendo assim, antes mesmo da luta, perdermos grande parte de nossas verdadeiras chances. A cólera aumenta a força do indivíduo, mas este perde a coordenação, tornando-se presa fácil para o adversário calmo e confiante.

Também sabemos que a cólera não leva a nada, e quase todos os atos brutais partem de seres encolerizados devido a grandes estados de excitação. Esta arte bem praticada faz com que a calma necessária tome seu lugar, para que a confiança possa nos dar aquele controle indispensável.

  • O

    psicólogo Flores (1987) comenta que o karate proporciona ao praticante uma forma

socialmente aceita de trabalhar a sua agressividade e isto de forma positiva e produtiva.

Considera que por um lado a agressividade sendo deslocada para o esporte, ela pouco provavelmente será manifestada sob outra forma dentro da comunidade. Por outro, a agressividade da forma como ela é trabalhada no karate também promove a aproximação e a amizade entre os praticantes e o respeito pelo semelhante. Assim, apesar da crença popular,

este impulso tão importante, mas mal aceito pela nocividade humana, estreita os laços e relações entre pessoas e não implica necessariamente morte e destruição.

Para Watanabe (apud SILVA, 1984) é errado ver o karate como uma luta corporal, uma maneira de desenvolver o físico unicamente. Ele deve ser visto, principalmente, pelo aspecto educacional, proporcionando, aos praticantes, uma maior confiança e segurança para enfrentar os problemas do dia-a-dia, além de ser uma terapia, aliviando e canalizando energias, reduzindo a ganância material em prol da formação de estrutura moral e espiritual.

Nos primeiros anos de prática nas artes marciais dá-se mais ênfase às perícias físicas e somente com anos de treinamento é que se alcança o nível mais elevado, em que a técnica física assume menos importância do que a transformação psicológica. Miller (1985) relata que o verdadeiro valor do estudo das artes marciais está naquilo que ela nos ensina a cerca de nós mesmos, e que não temos necessidade do medo, que nossa energia e consciência, nossa capacidade, coragem e compaixão, são muitos maiores do que temos sido levados a acreditar.

Oliveira Filho (1993, p. 7) comenta que “os ocidentais ainda não entendem as artes marciais orientais e que para a maioria a imagem que se tem é de lutas violentas que só servem para machucar e que foram feitas para valentões”. Apesar dessas idéias preconcebidas devemos lembrar que, de acordo com o mesmo autor, o caráter educacional está impresso na arte marcial como fim maior; seu objetivo é educar, em primeiro plano, corpomente-espírito num todo, em equilíbrio. Busca-se a formação do caráter do indivíduo, com as boas maneiras, com o senso de justiça e da não agressão.

Não podemos esquecer que no karate existe, também, a parte competitiva, a qual é muito importante para o seu maior desenvolvimento desde que fundamentada no espírito desportivo de competir, no qual é mais importante se superar e vencer a si próprio do que ao adversário. D’Elia (1987, p. 66) acrescenta que “a competição é sem dúvida o caminho para mantermos o karate como uma modalidade esportiva valorizada e reconhecida”.

As regras e os golpes de competição de kumite (luta) no karate tiveram que mudar e evoluir nos últimos anos para que a parte violenta e as lesões fossem eliminadas. Até 1985, a competição de karate era violenta porque, embora controlados, isto é, com força contida, os golpes eram aplicados no adversário. Mesmo sem força total, eram golpes poderosos e as lesões eram constantes, algumas

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