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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 23 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.23

ao relatar que “se nascêssemos sem agressividade seríamos incapazes de sobreviver durante os primeiros estágios de vida e, posteriormente, não poderíamos progredir em nosso desenvolvimento”.

  • O

    grau de agressividade e os momentos de controle dela dependem das vivências do indivíduo.

Alguns indivíduos controlam melhor esta agressividade e a deslocam para outra direção, entretanto, existem outros que estão mais fragilizados e, a qualquer sinal de frustração ou risco, agem agressivamente.

Para Winnicott (1994) a agressão pode ter dois significados, ou seja, pode produzir uma reação à frustração ou ser uma fonte de energia do indivíduo. Uma pessoa pode tender a atos agressivos constantemente e outra dificilmente terá um sintoma de agressividade, pois cada uma está lidando diferentemente com os impulsos agressivos, e cada uma experimenta estes sentimentos de frustração e os sublima de formas variadas.

A agressividade segundo Mora (2004) subjaz no nosso sentido competitivo de sermos melhores do que os demais como pessoas, como sociedades ou como países, nos esportes, nos negócios, na política, na economia e nas religiões. Sem dúvida, essa agressividade subjacente, queiramos ou não, foi o que permitiu a sobrevivência das sociedades e seu progresso até o presente. O mesmo autor salienta, também, da importância de conhecer os mecanismos da emoção que operam no cérebro, para, ao longo da educação do indivíduo, poder melhor controlar e transformar a agressividade contida na natureza humana. A transformação da energia de agressão, no homem civilizado, pode ser canalizada, adequadamente, na direção de uma meta de criação intelectual ou artística, conforme nos aponta Mora (2004, p. 166):

  • O

    que são as grandes criações culturais que conhecemos na pintura, na literatura, na música e no

próprio pensamento senão o produto de um pensamento ardente de emoção e, de certa maneira, de agressão? Exatamente os mais altos níveis de criação ocorreram em pessoas “anormais” e de alguma maneira caóticas e agressivas em seus padrões de conduta cotidianos, de Van Gogh a Donizetti, Schumann ou Wagner e de Lord Byron a Nietzsche ou Newton. Um criador, um grande artista, que seja sempre feliz e tenha uma vida tranqüila, alegre e sem conflito agressivo com o meio que o cerca, não existe. A criatividade é o processo que realiza um ser humano de talento que não tenha satisfeito muitas de suas necessidades de vida cotidiana e que talvez suas frustrações e agressões tenham encontrado refúgio na criação, seja esta intelectual, científica ou artística.

As teorias da agressão (instintos e impulsos) demonstram que as energias negativas que se acumulam devem ser descarregadas para que possamos manter um equilíbrio. Estas energias são proporcionadas por estímulos externos e, quando descarregadas, servem como instinto de defesa e manutenção do espaço vital.

Otta e Bussab (1998) nos lembram que a agressividade também pode ser redirecionada para dentro, contra a própria pessoa, que pode se torturar de forma masoquista e, tendo no suicídio, a forma extrema de autodestruição.

Os fatores intrínsecos relacionados com a personalidade são os que determinam, na realidade, as diferentes manifestações do comportamento e, também, a compreensão dos problemas psiquiátricos e psicopatológicos em geral. Até o comportamento impulsivo atende a importantes propósitos construtivos na busca dos limites dos controles externos. A ação pode ser um meio normal de abrandamento da tensão e da ansiedade.

As pesquisas em grupos humanos têm provado que, segundo Mosquera e Stobäus (1984, p. 170), uma dose de tensão e conflito se fazem necessárias e que o importante não é a harmonia como

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