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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 24 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.24

estado total, mas a superação do conflito encaminhando-se para uma forma de integração”.

A violência é o uso desmedido da agressividade, a falta de controle sobre nossos impulsos agressivos. Aguillera (apud RIO GRANDE DO SUL, 2003, p. 20) conceitua violência como “atitudes ou comportamentos que constituem uma violação ou arrebatamento do ser humano, seja de sua

integridade física, psíquica ou moral, seja de direitos ou liberdades. Pode provir de pessoas ou

instituições e pode realizar-se de maneira ativa ou passiva”.

Diferente da agressividade, a violência não é um atributo natural do ser humano, mas uma relação construída, um dado cultural. Para Ortega (apud DEBARBIEUX, 2003, p. 82) a violência é uma produção humana gerada no curso da vida de relações criadas pelas pessoas no âmbito de seus ambientes”.

A violência não é um fenômeno novo, ela acompanha a humanidade desde os seus primórdios. Contudo, segundo Gerhardt (2005, p. 93), “apesar do fato da violência ter sempre estado presente, o mundo não precisa aceitá-la como uma parte inevitável da condição humana”. Devemos ter presente que, da mesma forma como encontramos a cultura da violência na sociedade, também encontramos diversas pessoas e instituições engajadas na criação de processos voltados à não violência e ao desenvolvimento de culturas de paz.

Debarbieux (2002, p. 82) coloca que “a violência é tanto uma questão de opressão diária quanto de atos brutais e espetaculares”, portanto não devemos limitá-la a um único elemento traumático, eruptivo e inesperado. Embora mais visível nos atos brutais, a violência também é motivada pelas desigualdades sociais, pelos preconceitos e por todas as formas de exclusão.

Conforme Ortega (apud DEBARBIEUX, 2003, p. 83), “no fenômeno da violência, há uma constante: algumas pessoas, por si sós, institucionalmente ou em grupos, exercem violência sobre

o u t r a s , q u a n d o i m p e d e m o u d i f i c u l t a m q u e e s t a s t e n h a m l i v r e a c e s s o a o g o z o d o s d i r e i t o s h u m a n o s .

Infelizmente, a violência está tão enraizada na sociedade que, muitas vezes, sequer podemos percebê-la. Existe uma visão de que determinados tipos de agressão são naturais e podem ser admitidos socialmente. Há, também, outras situações em que se percebe a intencionalidade do ato violento, mas não se compreende o seu motivo. Estas características configuram a gratuidade da violência no contexto atual e, segundo Gerhardt (2005, p. 202), “é justamente esta dificuldade de c o m p r e e n d e r a o r i g e m d e m u i t o s a t o s d e v i o l ê n c i a q u e g e r a t a n t a i n s e g u r a n ç a , m e d o e d e s c o n f i a n ç a

nos relacionamentos humanos da atualidade, levando, freqüentemente, às atitudes defensivas, elas próprios, muitas vezes, de caráter violento”.

A influência da mídia como pólo transmissor da cultura de violência é outro fato inegável. Na atualidade, a violência é matéria prima, o melhor ingrediente do sensacional. A globalidade traz, em tempo real, as mais diversas formas de violência sem a preocupação de sua compreensão, reflexão ou prevenção, apenas suscitando sua banalização. Entretanto, se buscarmos a transformação desta visão sensacionalista, encontraremos nos meios de comunicação um importante aliado para difusão de uma cultura de paz.

Após melhor compreender o significado de agressividade e violência, pode-se concluir que violência e artes marciais não combinam, pois nelas o que se treina é o bom uso da agressividade. Portanto, quanto mais se conhece a verdadeira arte marcial, mais se percebe que estas artes de guerra são, na verdade, artes cultivadoras de uma cultura de paz.

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