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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 25 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.25

2.2.2 A VIOLÊNCIA NA E DA ESCOLA

A escola que antigamente tinha como características de ser um local seguro e de integração social, vem se transformando, atualmente, num cenário de constantes ocorrências violentas. O conflito emerge em toda situação social em que se compartilham espaços, atividades, normas e sistemas de poder e, a escola, obrigatoriamente, configura-se num destes espaços. Um conflito não é necessariamente, segundo Ortega (2002), um fenômeno de violência, embora, em muitas ocasiões, quando não abordado de forma adequada, pode chegar a deteriorar o clima de convivência pacífica e gerar uma violência multiforme na qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema.

A percepção de que a escola está violenta é manifestada nos discursos tanto de diretores e professores como de pais e alunos conforme relata Ortega (2002, p. 9):

Os alunos expõem sua insatisfação em relação à infra-estrutura dos prédios, reclamam da falta de vínculo entre o conteúdo das disciplinas e suas necessidades existenciais e profissionais e dizem que não gostam dos seus professores. Os docentes reclamam dos alunos, que classificam como indisciplinados e desinteressados. Cria-se então, um clima de conflito, transformando a escola em um lugar de sofrimento para alunos e professores. Prevalece a falta de diálogo e a convivência se torna difícil, tensa e impera nas relações sociais a lei do silêncio.

Para que não haja este crescente clima de insatisfação a escola deve repensar suas metas. A solução para os problemas de insegurança e de violência não pode ser abordada simplesmente pela instalação de sofisticados sistemas de segurança, mas sim na introdução de fatores organizacionais na própria escola e no sistema educacional. Não devemos sucumbir a mercantilização da violência escolar. Devine (apud DEBARBIEUX e BLAYA, 2002) nos aponta que, hoje, a segurança escolar está se transformando num importante produto comercial em razão da alta tecnologia criada em seu nome para o combate da violência escolar. Devemos lembrar que a tecnologia, por si só, não resolve o problema e que equipamentos como aparelhos de detecção de metais, circuitos fechados de televisão, câmeras de vigilância, aparelhos de raios-X para inspecionar mochilas, entre outros, não podem se transformar em soluções isoladas para combater a violência no ambiente escolar.

A escola não pode se limitar a um simples cenário de instrução, ela deve, segundo Ortega (2002, p. 22), “ser um âmbito de convivência no qual cada vez mais seja preciso entender que seus efeitos não devam limitar-se a saberes concretos, mas que se necessitam também estar atentos para seus

efeitos na formação geral da personalidade individual e social de seus protagonistas e agentes”.

  • O

    termo violência no meio escolar deve expressar tanto a violência na escola como a violência da

escola. A violência na escola é a que se caracteriza por atos praticados entre alunos(as), entre alunos(as) e professores(as) ou entre outros adultos, tais como: brigas, agressões, indisciplina, intimidação, depredação do patrimônio, tráfico de drogas, roubos, entre outros. A violência da escola é a que resulta da consciência das relações que se estabelecem entre o fato social e a educação, que também pode ser entendida, segundo Guimarães (2003, p. 9), como:

[..] a violência simbólica que consiste na tentativa de impor a interiorização de normas de conduta que não podem ser legitimadas, tendo em vista o processo de reestruturação social, completando-se com exercício de práticas pedagógicas obsoletas e destituídas de interesse, mediatos ou imediatos, para os alunos.

Os fatores confluentes para a violência escolar são os mais diversos e variam de acordo com o contexto político-econômico-social que a comunidade escolar está envolvida e com o tempo de evolução dos diversos paradigmas culturais. Ortega (apud DEBARBIEUX, 2003) agrupa esses fatores de acordo com suas relações nos diversos contextos como:

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