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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 27 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.27

ser abordada e mobilizada no ambiente escolar para que tornemos nossa sociedade mais justa e menos violenta.

A violência não tem uma origem única e suas causas são múltiplas, complexas, densas, mas não fatais, como bem coloca Debarbieux (2002, p. 75) ao dizer que “se a violência é construída, então ela pode ser desconstruída”. Portanto cabe a educação, não só na esfera escolar, mas nos mais diversos setores do nosso cotidiano, trabalhar nessa desconstrução daviolência.

A violência escolar deve ser analisada, segundo Debarbieux (2002), macro e microssocialmente, enfatizando suas causas tanto exógenas, que são as relacionadas às falhas familiares, à comunidade, ao sistema econômico, ou às políticas públicas, quanto endógenas, que são as associadas a graus de organização ou de desorganização local, nos quais geralmente os atores são apenas agentes impotentes, manipulados por forças políticas externas.

Nas escolas, embora existam uma série de tipologias de agressões e de intimidações, poderíamos classificá-las, de uma maneira simplista, como físicas ou psicológicas. Embora popularmente a conotação de violência esteja mais voltada para as agressões e intimidações físicas, principalmente por sua transparência e condução pela mídia, devemos ter um cuidado todo especial para com a violência psicológica, pois essa pode ter efeitos tão ou mais nocivos para as vítimas e agressores do que os resultados da violência física.

Segundo Debarbieux (2003, p. 7):

Pequenos grandes atos de violência simbólica e ísica, como a intimidação de alunos e professores, o desrespeito à

diversidade e a força de esteriótipos e preconceitos tornam insuportável a vida de muitos dos membros das escolas, cotidianamente, num processo surdo, que não chega a ser captado pela comunicação de massa.

Diversos autores classificam as tipologias de agressões e intimidações de outras diferentes maneiras, como Smith (apud DEBARBIEUX e BLAYA, 2002) que relaciona como principais tipos as físicas (bater, chutar, socar ou tomar objetos pessoais), as verbais (insultar ou implicar), as de exclusão social (dizer para alguém: você não pode brincar conosco) e as indiretas (espalhar boatos maldosos ou dizer para alguém não brincar com determinado colega).

A violência praticada nas escolas por jovens e adolescentes também tem que ser observada como uma forma de comunicação, uma linguagem que permite a comunicação com os demais e que permite, também, significar um conjunto diferenciado de estados de espírito contra diversas injustiças, frustrações e insatisfações encontradas por esses alunos, conforme relata Prina (apud DEBARBIEUX, 2003, p. 154-155) ao tratar os diferentes “seres” da violência:

A violência é a ‘voz’ quando ela tem origem na impossibilidade ou na incapacidade de determinados alunos de se comunicarem de acordo com as formas aceitas pela instituição escolar. A violência é ‘reação’ quando ela exprime os problemas de frustração ligados ao fracasso escolar e à sensação de incapacidade diante das tarefas impostas. A violência é ‘identidade’ quando ela manifesta, mediante atos e gestos simbólicos, a distância cultural existente, entre o conjunto dos representantes da instituição escolar e determinados indivíduos ou grupos de indivíduos portadores de traços culturais diferentes daqueles presentes na cultura dominante. A violência é ‘protesto’ quando ela tem origem na percepção de um tratamento injusto e ou discriminatório, ao qual o sujeito reage diretamente, atacando as pessoas consideradas responsáveis ou, de forma indireta, atacando os bens materiais que pertencem a elas ou os símbolos da

i n s t i t u i ç ã o n a q u a l e s s e t r a t a m e n t o f o i a p l i c a d o . A v i o l ê n c i a é c o n f o r m i s m o q u a n d o e l a a p a r e c e s e r u m a a d a p t a ç ã tendência de utilizar formas de violência para regular os conflitos entre os indivíduos e as di erentes categorias que o à

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