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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 28 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.28

convivem na instituição.

Desta forma percebemos que, muitas vezes, a violência dos jovens é gerada por mecanismos incrustados no próprio ambiente escolar, como a falta de diálogo entre educadores e educandos, o medo de mudar e de compreender as novas gerações, a falta da motivação de fazer o aluno sentir prazer de aprender, a ineficiente busca de um conhecimento mais voltado para a formação completa do indivíduo, o qual esteja centrado nas aspirações e ideais de seus protagonistas e de sua comunidade mais próxima.

Portanto, para buscarmos uma cultura de paz no ambiente escolar, devemos abordar alguns pontos fundamentais como: a conscientização, o diálogo e a motivação, além da busca maior do aspecto espiritualista conforme já relatado no capítulo anterior ao escrever sobre a cultura e a educação no extremo oriente e o karate como uma arte marcial espiritual.

A conscientização é o fator de instrumentalização de professores e alunos através de conceitos, experiências e vivências que possibilitam direcionar caminhos para a promoção de culturas de paz e a superação da violência, de preconceitos e de esteriótipos. A real conscientização necessita não só de comentários ou manifestações sobre paz, mas sim, de motivações e experiências sobre os mais variados processos de busca por soluções não violentas no ambiente em que estão inseridos os sujeitos.

Conforme Guimarães (2003, p. 263), “não basta falar de paz para constituir a educação para a paz porque o que ela tem a oferecer é exatamente a possibilidade de uma vivência e experiência de uma comunidade onde a paz articula-se como referência fundamental”.

Na conscientização devemos, de acordo com Prina (apud DEBARBIEUX, 2003), desenvolver nas crianças e nos jovens atitudes de repúdio à violência, de aumento de seu patrimônio de atitudes pró-sociais e de percepção da importância do respeito à legalidade e aos direitos do outro no âmbito da normalidade da vida de relacionamentos. O mesmo autor acrescenta a necessidade do docente de aprender a se conhecer melhor, a construir uma identidade didática, a fim de responder com lucidez à violência escolar, começando por aprender a controlar sua própria violência. Também se faz necessário o educador conhecer as diferentes pedagogias ativas, a fim de melhor preparar os jovens para se posicionarem na turma e na sociedade, desenvolvendo atitudes relacionais com respeito à gestão de conflitos, aos processos de negociação e aos modos de tomada de decisões.

  • O

    diálogo no ambiente escolar permite a ampliação da relação professor/aluno além do ensino de

uma única matéria, fazendo com que, tanto os alunos quanto os professores, se conheçam e se compreendam melhor. Esses contatos mais estreitos, segundo Blaya (2002), ajudam a desenvolver um senso de fazer parte e de responsabilidade recíproca maiores do que os que são possibilitados pelos papéis fragmentários e passageiros.

  • O

    diálogo possibilita, também, que na maioria das situações de conflito busquem-se soluções

aceitáveis para todos e que a verbalização tome conta do ato violento, conforme relata Prina (apud DEBARBIEUX, 2003, p. 174-175):

Quando as crianças e os adolescentes percebem que estão sendo ouvidos, torna-se mais fácil que a verbalização das condições de mal-estar e das razões do conflito tome o lugar do ato violento. Da mesma forma, torna-se mais

simples, para os que são ou se sentem vitimados, expressar seu sofrimento. Quanto aos espectadores, um clima de

observação e de escuta pode trazê-los para uma dimensão de compartilhamento educativo, o que talvez faça com que eles

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