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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 30 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.30

atuando à margem do respeito às normas de convivência, está se socializando com uma consciência de clandestinidade, que poderá afetar gravemente seu desenvolvimento conforme relata Ortega (2002, p. 34-35), ao comentar que:

[..] vai-se convertendo pouco a pouco num jovem que acredita que as normas estão para serem infringidas e que, não cumpri-las, pode chegar a proporcionar um certo prestígio social. Assim vai-se deteriorando seu desenvolvimento moral e aumentando o risco de aproximação à pré-criminalidade, se não forem encontrados em tempo elementos educacionais de correção que redirecionem seu comportamento anti-social.

As vítimas, muitas vezes, poderão sofrer de ansiedade, depressão, timidez exagerada, insegurança, baixa auto-estima e queixas físicas e psicossomáticas e, em alguns casos extremos, elas podem vir a cometer suicídio. Outras, quando se percebem sem recursos para sair desta situação, terminam aprendendo que a única forma de sobreviver é a de converter-se em violentos e desenvolver atitudes de maus tratos para com outros.

Aprender que a vida social funciona como a lei do mais forte pode, segundo Ortega (2002), ser muito perigoso, tanto para os que se colocam no lugar do forte como para os que não sabem como sair do papel de fraco, que a estrutura da relação lhes atribui, especialmente, se isto ocorre quando se está construindo a personalidade social.

Burkhardt (2003) nos aponta que há uma lei do silêncio entre vítimas e agressores, o que dificulta sua intervenção na escola. Por isso, é preciso atenção à forma de relacionamento entre os alunos, no pátio, na sala de aula e nos demais ambientes. A vítima pode ficar constrangida a ponto de não ter mais coragem de participar, ficando em silêncio.

Na busca de uma educação mais ampla do ser humano e da procura de harmonia nos ambientes escolares, Ortega (apud DEBARBIEUX, 2003, p. 80) nos lembra da Declaração Universal dos Direitos Humanos que relata:

A educação será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da

manutenção da paz.

Portanto, devemos enfatizar que a prevenção da violência escolar deve ocorrer em meio das tarefas cotidianas de educação, e não apenas em grandes campanhas de conscientização. Devemos ter a convicção de que a escola seja um lugar onde os jovens encontrem a educação para a legalidade, o respeito às regras de convivência e a busca de soluções não violentas para os conflitos. E, na construção destes caminhos, encontramos o ensino das verdadeiras artes marciais como um meio auxiliar de grande valia na formação de culturas de paz.

2.2.3 O ESPORTE: VILÃO OU HERÓI NA RELAÇÃO COM A AGRESSIVIDADE E A VIOLÊNCIA?

  • O

    esporte, atualmente, tem alcançado uma importância de tal ordem que deixou de ser um

simples instrumento de lazer, para interagir e influenciar nos meios políticos, econômicos e sociais em todos os cantos do mundo. Sua importância é visível, tanto no esporte de formação como no esporte de alto rendimento, como um elemento capaz de auxiliar na sociabilização, criação de modelos, liberação de emoções e tensões, manipulação de opiniões e criação de identidade própria e

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