X hits on this document

PDF document

Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 31 / 82

196 views

0 shares

0 downloads

0 comments

31 / 82

Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.31

de grupo.

  • O

    movimento, a atividade física e o esporte são referidos por diversos autores como uma

alternativa de mudança, geralmente para uma melhora, da ansiedade, tensão, emocionalidade e agressividade. O levantamento científico da influência do exercício sobre o nível de agressividade tem focalizado seus efeitos tanto para quem pratica como para quemassiste a estes eventos.

Os efeitos da prática do desporto no ser huma no propiciam não apenas o desenvolvimento físico, mas também parecem proporcionar um desenvolvimento psicológico melhor. O termo desporto passa, segundo Mosquera e Stobäus (1984), a ser considerado como uma válvula de escape psicológica e a sua participação como um meio de desenvolvimento para canalizar as agressões.

Existem demonstrações, segundo Otta e Bussab (1998, p. 112), de que “a prática esportiva promove no cérebro a liberação de uma substância natural do nosso corpo chamada beta-endorfina,

cuja composição semelhante à do ópio explica por que nos sentimos bem quando praticamos exercícios físicos”. Desta forma ao fazermos estas atividades ficamos cansados, mas com uma sensação de bem-estar.

  • O

    exercício físico também é colocado por Otta e Bussab (1998, p. 112) como um liberador de

tensão: “é como se a energia agressiva fosse sendo acumulada aos poucos dentro de nós e exigisse uma liberação periódica”. O exercício físico representaria uma válvula de escape não-destrutiva. Os mesmos autores lembram que vários autores consideram que praticar esportes e até mesmo assistir a competições esportivas permitem à pessoa extravasar sua agressividade.

A participação em atividade física e esporte, segundo Cratty (1989), reduz a agressividade, tanto para o praticante como para o observador. Pressuposto também defendido por Brill (apud OTTA e BUSSAB, 1998, p. 113) ao comentar que “através da operação das leis psicológicas da identificação e d a c a t a r s e , a p e s s o a s e b e n e f i c i a m e n t a l , f í s i c a e m o r a l m e n t e a s s i s t i n d o / p r a t i c a n d o o s e u e s p o r t e

preferido”.

A principal função do esporte atual para Lorenz (apud OTTA e BUSSAB, 1998, p. 112) “reside na liberação catártica do impulso agressivo; além disso, é claro, tem grande importância para a

manutenção da saúde”.

Na sociedade atual, principalmente em crianças e jovens ansiosos, é tão grande a confusão e a tensão interna que eles perdem o sentido de limite corporal entre sua esfera emocional interna e o mundo real exterior. Segundo Wolfgang (1979), os jogos, o movimento, proporcionam uma experiência para aprender a estabelecer o controle no trato com os demais seres humanos e criar uma crescente consciência de si mesmo. Refere, ainda que o jogo proporciona através do repertório de ações, um melhor conhecimento do corpo do praticante e de sua capacidade frente ao mundo que o rodeia, estimula a coragem para enfrentar proibições sociais (regras, normas), além de uma via de descarga e integração emocional.

Becker Junior (1980) lembra que todo o ser humano tem um instinto de morte, através do qual ele tende a destruir, dirigindo esse instinto para fora (agressividade extra-punitiva) ou para dentro (agressividade intra-punitiva). Se a agressividade for dirigida para dentro poderá levar ao suicídio ou outros tipos de transtornos físicos ou doença mental. Nesta visão para o autor, o esporte, tanto para o praticante como para o observador, é um canalizador de sentimentos hostis para fins úteis (sublimação) e que através do exercício físico há uma drenagem da agressividade. Becker Junior

Document info
Document views196
Page views196
Page last viewedMon Dec 05 09:40:58 UTC 2016
Pages82
Paragraphs1591
Words42749

Comments