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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 32 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.32

(1995, p. 27) reforça melhor esta compreensão da influência do esporte sobre a agressividade através de uma pesquisa realizada em alunos entre 14 e 17 anos de escolas gaúchas obtendo o seguinte resultado:

  • 1)

    Os que praticam educação física ou desporto apresentam um nível de ansiedade menor do que os sedentários.

  • 2)

    Os que praticam educação física ou desporto apresentam um nível maior de agressividade sublimada do que os

sedentários.

3) Os que praticam educação física ou desporto apresentam um nível de agressividade intrapunitiva menor do que os sedentários.

4) Alunos que praticam desportos apresentam um nível de agressividade extrapunitiva maior do que os sedentários. Os que praticam educação física não se diferem dos sedentários neste fator.

De outro lado, Jakobi (apud BECKER JUNIOR, 1980) não apóia a posição de que o esporte praticado ou presenciado efetua uma drenagem da agressão. Segundo este autor a agressividade não é um reservatório de energia que pode ser esvaziado praticando ou observando ações agressivas.

Por sua vez, Geen e Quanty (1977) dizem que a atividade física e o esporte reduzem mais a excitação fisiológica, pela metabolização da adrenalina, do que fazem um ajuste cognitivo da raiva e da agressão.

Podemos observar, portanto, que há posições contrárias que abordam a agressividade e o efeito do exercício sobre a mesma.

  • O

    surgimento de comportamentos agressivos no esporte é relacionado por vários fatores tais

como: o local da disputa; a importância da disputa; o nível de rendimento dos competidores; quem está ganhando; o comportamento dos torcedores; as regras esportivas;

entre outros. O comportamento agressivo e violento do indivíduo dependerá do estado emocional de cada competidor em relação à disputa e das expectativas dos torcedores com a vitória, derrota e arbitragem.

Lamentavelmente a história do desporto, em especial o competitivo, encontra-se marcada por atos de violência. O mundo desportivo nos suscita uma intrigante antítese na qual esporte e paixão, paixão e violência, violência e tragédia, convivem lado a lado com o esporte e saúde, esporte e desenvolvimento, esporte e elevação de espírito.

Na história das civilizações o esporte sempre esteve ligado a função de válvula de escape das tensões políticas e sociais. Na Roma Antiga os jogos eram realizados intencionalmente para o público liberar sua agressividade latente. Na atualidade, conforme Mosquera e Stobäus (1984, p. 25), “os modernos gladiadores contemporâneos são os desportistas profissionais”, e através deles espera-se que o público encontre emoção, tensão e interesse, canalizando as suas frustrações.

Para diminuir as marcas de violência os esportes para serem reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional devem se regulamentar e perseguirem um objetivo saudável e de aprimoramento corporal, superior às meras violências e golpes lesivos. A regulamentação do esporte deve preservar a segurança dos praticantes, bem como o seu aprimoramento físico e mental, além de possibilitar a uniformização da prática da modalidade ou luta e, com isso, a manutenção do esporte como valor cultural e moral inerente à condição humana.

Do ponto de vista da violência sobre a pessoa Capez (2003, p. 123) classifica o esporte em três

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