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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 33 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.33

grandes grupos: a) jogos com violência direta e necessária: a violência é da essência do esporte, o qual só pode ser praticado com

emprego da vis absoluta contra a pessoa (boxe e lutas marciais);

  • b)

    jogos com violência eventual (futebol, handebol, basquete);

  • c)

    jogos sem nenhuma violência (golfe, xadrez, damas)

Classificação esta colocada de uma forma demasiadamente generalizada, pois não diferencia os vários esportes de lutas, colocando como iguais, as verdadeiras artes marciais orientais baseadas em princípios filosóficos de não agressão, e as outras lutas desvinculadas de tais princípios. Nas verdadeiras artes marciais a violência não é a essência do esporte e sim o controle da técnica, e, se fossemos nos basear pelas lesões ocorridas durante os treinamentos ou competições, constataríamos que desportos como futebol, basquete e handebol apresentam geralmente um número maior de lesões do que as artes marciais como o judô e o karate.

As artes marciais com origem nas doutrinas orientais, em vez incitarem a violência, têm, pelo contrário, procurado desenvolver um estilo mais harmonioso e tranqüilo de vida, o que tem levado um crescente número de estudiosos do comportamento humano a se dedicarem ao estudo intensivo de seus princípios e práticas, conforme relata Guerguen Neto (1995, p. 11), ao comentar que:

  • O

    pensamento oriental, como o zen budismo, passou a deixar-se conhecer para o pensamento ocidental. Na sua

essência, as práticas marciais constituem caminhos sistematizados para a obtenção de um perfeito autocontrole,

maturidade e autoatualização do ser. Muitas pessoas ao passarem a utilizar-se dessas práticas resgataram seu equilíbrio, seu entusiasmo e o amor pela vida. O surgimento de valores que nascem no ser humano a partir da integração pessoal obtida pela prática correta de uma arte marcial, mostra uma psicologia prática de quem cultiva um novo estilo de vida.

  • O

    desporto pode ainda, segundo Mosquera e Stobäus (1984, p. 112), “ajudar as pessoas a se

tornarem emocionalmente mais maduras, inclusive preparando-se fisicamente da melhor maneira a conviver com os outros e ao mesmo tempo estabelecendo uma identidade e filosofia de vida”. A filosofia de vida estaria na generosidade do desempenho e capacidade de desenvolver-se dentro de responsabilidades cívicas e sociais, fatores de vital importância para se estabelecer uma cultura de paz.

Trabalhos de Beaumont (apud DEBARBIEUX, 2003) tratam dos benefícios da atividade física para a sociabilização dos jovens com dificuldades de comportamento e da medição entre colegas realizada por jovens que apresentam, eles próprios, dificuldades.

Um outro fator importante na relação do esporte como inibidor da violência reside na possibilidade deste em desenvolver uma auto-estima positiva nos seus praticantes. A autoestima, segundo Mosquera e Stobäus (1984, p. 55), “responde ao tipo de apreço, consideração, amizade e,

digamos assim, benevolência, que a pessoa tem para consigo mesma”. A auto-estima positiva desenvolve uma visão o mais realista possível das possibilidades, defeitos e virtudes que a pessoa possui. Já a auto-estima negativa desenvolve uma maneira valorativamente negativa da pessoa se ver e se apreciar, o que resulta como características predominantes uma maior rigidez comportamental, mecanismos de fuga de si mesmo e especialmente desconfiança das outras pessoas. Portanto, quando a auto-estima é favorável, responde a sentimentos de objetividade, flexibilidade e, especialmente, compreensão dos outros, tornando assim as relações mais harmoniosas e os conflitos facilmente resolvidos.

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