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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 34 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.34

  • O

    desenvolvimento de uma auto-estima positiva é fundamental principalmente na adolescência,

momento no qual o desporto pode, de acordo com Mosquera e Stobäus (1984, p. 112), “ajudar a aceitar as mudanças físicas e dar uma nova imagem ao corpo, possibilitando um conhecimento real do mesmo, assim como da dinâmica da estrutura corpórea a respeito da identidade psicológica”.

Os desportos de alto rendimento e as competições são os elementos esportivos que merecem um maior cuidado quanto as suas repercussões na formação de culturas de violência ou de paz, tanto para os praticantes como para os assistentes. Infelizmente a sociedade atual coloca, geralmente, a competição como uma relação de ganho ou perda, fugindo de seu significado mais nobre, que segundo Mosquera e Stobäus (1984), seria a compreensão, admiração e aceitação do desempenho do adversário. Também nas atividades desportivas, principalmente nas competições, a necessidade de alcançar resultados recordes, evidenciar mestrias desportivas e conseguir vitórias, não deveria ser mais importante do que o desenvolvimento no ser humano de autoconceito e conceito grupal, coragem, lealdade, formação e afirmação da personalidade, além da busca de uma melhor saúde física e psíquica.

As competições esportivas podem ser interpretadas, segundo Otta e Bussab (1998, p.113), como l u t a s r i t u a l i z a d a s , o u s e j a , l u t a s s i m b ó l i c a s e m q u e n o s e n v o l v e m o s p a r a g a n h a r , p a r a d e f e n d e r

n o s s a e q u i p e , p a r a r e a s s e g u r a r n o s s o s l a ç o s c o m o g r u p o e n o s s a s u p e r i o r i d a d e . E m c e r t o s e n t i d o essas práticas poderiam representar um canal socialmente aceitável de extravasamento da agressividade. Seja como for, precisamos reconhecer que a motivação para a prática esportiva é poderosa, basta ver que milhares de torcedores acompanham a transmissão dos jogos pelo rádio e pela televisão e uma multidão lota regularmente os estádios. O resultado dos jogos está associado à intensa emoção por parte da torcida. ,

  • O

    ponto é que encontramos indícios de redirecionamento da agressividade ao observarmos o

comportamento dos torcedores que através do desporto espetáculo conseguem canalizar muitas das repressões e fomentar formas de comportamento que não seriam toleradas em outras manifestações sociais. Neste sentido, de acordo com Mosquera e Stobäus (1984, p. 180), “o público se movimenta nas competições desportivas dentro de limites de permissividade mais amplos e este movimento é provocado no sentido de identificar momentaneamente e concentrar nos jogos as tensões que socialmente são colocadas como forma de provocar maneiras de comportamento”.

Na busca de uma situação de competição ideal e da diminuição da violência das torcidas, deveríamos educar o público de maneira que conseguisse absorver com mais facilidade os resultados e que, de forma analítica e crítica, entendesse como espetáculo a técnica e o desempenho e não propriamente o ganho ou a perda em si.

A função de competir só para ganhar representa, tanto para o esportista como para o torcedor, um elemento altamente nocivo. Para Mosquera e Stobäus (1984, p. 183) “o ganho, em si, leva a desencadear elementos agressivos de prepotência e poder e não cooperação, coesão e

r e c o n h e c i m e n t o d o m e l h o r .

As grandes catástrofes registradas nos desportos, bem como a agressividade dos jogos, têm uma relação direta com os tipos de ansiedades, frustrações e conflitos desenvolvidos na sociedade moderna. Várias causas podem ser apontadas para a violência das torcidas organizadas nos estádios. Uma delas é a intensa emoção que acompanha uma vitória ou uma derrota, principalmente quando são inesperadas. Outra é a frustração decorrente de uma injustiça percebida, quando os torcedores

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