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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 35 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.35

acreditam que seu time foi prejudicado por um árbitro incompetente ou corrupto. Mas há também a manifestação de comportamento delinqüente, quando grupos de espectadores, predispostos à violência, utilizam eventos esportivos para dar vazão a ações anti-sociais.

Grande parte dos tumultos acontecidos em desportos de cunho violento se deve ao público fanático. Para Mosquera e Stobäus (1984) parece até contraditório e paradoxal que tipos de personalidade, na vida real tão pacatas, apresentam comportamentos tão agressivos quando desencadeados em um campo de futebol ou em um outro desporto. Este comportamento se expressa através de gestos amplamente fora dos padrões sociais, palavreado grosseiro e, além do mais, comportamento de agressão indiscriminado, seja comquem for, talvez para liberar as repressões.

Otta e Bussab (1998, p. 118) comentam que:

Evidentemente a questão do envolvimento em esportes competitivos não se reduz à rixa entre grupos. Não se trata, ainda, de um exercício puro e simples de liberação de agressividade. É também uma oportunidade de dedicação intensa e de lealdade ao próprio grupo. Correr em defesa e lutar junto. Sentir-se irmanado, partilhar a mesma emoção e o mesmo canto. Ostentar corajosamente sinais de pertencer a um grupo e, se preciso for, enfrentar o inimigo num campo de

batalha.

Desta forma, no mundo atual, podemos considerar que o esporte, tanto de formação quanto de alto rendimento, se bem conduzido, serve como canalizador de frustrações e conflitos, seja ao nível pessoal como local ou internacional.

Dvemos, portanto, procurar no esporte a sua verdadeira missão que é, segundo Mosquera e Stobäus (1984, p. 195), “tornar o homem mais consciente física, intelectual e moralmente da sua própria pessoa. Sendo mais consciente da sua própria pessoa é provável que seja mais responsável para a construção de um mundo melhor”.

E, diante desta possibilidade da construção de um mundo melhor, principalmente na busca de uma cultura de paz a partir dos princípios de tolerância, solidariedade, compartilhamento em base cotidiana, pluralismo de idéias, diálogo, negociação, mediação, respeito aos direitos humanos e combate às desigualdades e exclusão social, apresentaremos alguns projetos desenvolvidos no Brasil em que se busca através do esporte atingir esses princípios:

Projeto de Capoeira: desenvolvido no Colégio Márcia Meccia, localizado na cidade de Salvador na Bahia, e tendo como metas, segundo Silva (apud DEBARBIEUX, 2003): capacitar ao aluno refletir sobre as suas potencialidades corporais e exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada; adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações esportivas, repudiando qualquer tipo de violência. O projeto é desenvolvido através do ensino da capoeira por voluntários e conta com a participação de cerca de 250 alunos.

Projeto Escola Maria Anita: desenvolvido na periferia de Salvador, no bairro de Periperi. Este projeto baseado na manutenção das portas da escola sempre abertas à comunidade possibilitou, segundo Pereira (2004), a eliminação da evasão escolar e colocação de um ponto final nas brigas, quebra-quebra, destruições e pichações que eram freqüentes no estabelecimento. A Maria Anita também foi a única escola do Nordeste a ser convidada para participar do 3º Seminário Internacional de Intercâmbios de Experiências de Educação para a Paz, realizado em Bogotá, na Colômbia.

Antes do projeto, de 1993 a 2001, conforme relata Pereira (2004), pelo menos 300 ex-alunos

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