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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 50 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.50

político-sócio-econômica contemporânea e do ritmo frenético e competitivo da sociedade, que geram um clima de medo, desconfiança e insegurança, além do aparecimento da pobreza e exclusão social.

Kururunfa comenta que o mundo tá muito agressivo hoje em dia e as pessoas tão cada vez mais achando que a violência é a solução para tudo, o que caracteriza que, para alguns, a violência começa a aparecer como uma parte inevitável da condição humana. Contudo devemos lembrar que a violência não é um atributo natural do ser humano, mas uma relação construída, um dado cultural, e segundo Debarbieux (2002, p. 75), “se a violência é construída, então ela pode ser desconstruída”. Assim como encontramos culturas que têm na violência a solução de seus problemas, existem também movimentos e organizações que se desenvolvem para prevenir, limitar e combater a violência e construir culturas de paz.

A correlação de guerras, violência, relatada por Seienchen, é retomada por Suparimpei, ao comentar que há violência no mundo em questões de guerras, no Iraque, no Afeganistão. A guerra com todo seu poderio de destruição sempre foi um dos maiores símbolos da violência na humanidade. Ela é também um fenômeno que permite visualizarmos, com mais clareza, a íntima relação que a violência mantém com o poder, conforme aponta Arendt (1994, p. 38) ao relatar que:

Visto que nas relações internacionais, tanto quanto nos assuntos domésticos, a violência aparece como o último recurso para conservar intacta a estrutura de poder contra contestadores individuais – o inimigo externo, o criminoso

nativo -, de fato é como se a violência fosse o pré-requisito do poder, e o poder, nada mais do que a fachada, a luva de

pelica que esconde a mão de ferro, ou mostrará ser um tigre de papel.

Para Gueksai-dai-ni a violência hoje em dia tá ficando na base das armas. O pessoal tá entrando em conflito por questões políticas, não tá mais levando. Fala esta que demonstra que a diplomacia,

muitas vezes, está cedendo ao poder bélico e aos interesses políticos e econômicos para a resolução de conflitos. Portanto, para enfrentarmos estas situações devemos, principalmente através da educação, conscientizar e direcionar caminhos para a superação da violência e promoção de culturas de paz.

4.1.2 NAS CIDADES

Os grandes centros urbanos aparecem para vários entrevistados como pólos centralizadores de tensões e conflitos. Sanseru relata: eu acho que as cidades que possuem bastante população são mais violentas das que possuem menos. E, geralmente, as pessoas violentas se direcionam nestas cidades, então, onde tem bastante gente, tem mais violência, tem mais criminalidade.

De fato, na atualidade, as grandes cidades apresentam cada vez mais um ritmo agitado e uma crescente onda de conflitos deixando as pessoas cada vez mais inseguras e estressadas.

Elas também estimulam uma visão competitiva e materialista de vida, tornando o ter mais importante do que o ser. Idéia também presente na cartilha Por uma Cultura de Paz (apud RIO GRANDE DO SUL, 2003, p. 4), ao retratar que:

As grandes cidades perderam o sentido fraternal do convívio solidário, e as pessoas, cada vez mais solitárias e

individualistas, pensam no que é melhor para si, sem preocupação com os outros. Esse sentimento acaba sendo a causa de uma série de violências, que se multiplicam todos os dias dentro de casa, no trânsito e em outros locais de convívio social.

Como exemplo da violência de uma grande cidade no nosso país, Teisho comenta: No Brasil

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