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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 55 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.55

muito agressivas; e que elas não se controlam nunca. Sanchin relata que se tu vais numa festa

,

qualquer coisa já tem porrada; em supermercado se tu és roubado em algum sentido, já quer briga

com o gerente.

E, numa visão mais abrangente, Saifa relata que as pessoas não têm paciência e brigam por qualquer coisa, e acho que isto é errado. Elas têm que pensar mais um pouco antes de falar, têm que

se controlar melhor, porque agressividade não vai levá-las a nada.

Como podemos perceber, através destas falas, os efeitos da falta de paciência, reflexão e controle são estimuladores para o aparecimento de culturas de violência, e de como, se não forem devidamente trabalhados, podem levar a imprevistas situações de destruição pessoal.

Como as pessoas tão trabalhando, tão tentando conseguir mais dinheiro, elas acabam esquecendo que elas têm que viver mais e ficam mais cansadas e qualquer coisinha assim que acontece, como exemplo do trânsito, elas já saem quebrando tudo. Este relato de Seipai nos aponta

que outro fator para o aumento da violência é o da falta de tempo para se viver a vida de uma maneira mais prazerosa e menos estressante.

Mosquera e Stobäus (1984) lembram também que o cansaço de viver, o estresse e os malefícios sutis de uma sociedade poluída espiritual, psíquica e fisicamente podem levar a doenças insidiosas, que se chamam o desespero de viver.

Portanto, o desenvolvimento de atitudes de paciência, reflexão e controle sobre os mais diversos conflitos e dificuldades do nosso dia-a-dia, se fazem fundamentais se quisermos um mundo mais pacífico e uma vida mais plena e feliz.

4.2 PERCEPÇÕES SOBRE AGRESSIVIDADE/VIOLÊNCIA NO KARATE

Esta categoria aborda as percepções dos entrevistados sobre agressividade e violência, especificamente, no karate, através das seguintes subcategorias:

Percepções sobre agressividade/violência no karate

      • 4.2.1

        Antes do ingresso no karate

      • 4.2.2

        No início da prática do karate

      • 4.2.3

        Praticantes com mais de um ano de tempo de treinamento

      • 4.2.4

        Influências das competições

      • 4.2.5

        Atitudes de agressividade/violência de karatecas

      • 4.2.1

        ANTES DO INGRESSO NO KARATE

Eu achava o karate violento. Achava que se baseava em bater nas pessoas e deu, relata

Kururunfa demonstrando sua percepção sobre o karate antes de começar a praticá-lo.

A visão do karate como esporte violento, antes de conhecê-lo melhor, foi compartilhada pela maioria dos entrevistados, em diferentes falas, como a de Gueksai-dai-ni, ao comentar que antes de entrar no karate que vêem mais como um esporte violento e querem sair brigando na rua, ou a de

Suparimpei, na qual lembra que: considerava o karate violento, tanto que, para me defender de um

cara que me batia, eu entrei no karate.

Este pouco conhecimento que a maioria das pessoas têm das artes marciais, em especial do

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