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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 56 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.56

karate, contribui para a formação de uma visão pré-conceituosa sobre estes esportes, fazendo com que, segundo Araújo (2005), muita gente ache que a prática das artes marciais estimula a violência e que o praticante de uma luta qualquer é, por certo, uma pessoa violenta ou agressiva. Porém, na verdade, estas modalidades esportivas não têm por objetivos estimular a violência, e sim a busca do controle da agressividade e da resolução de conflitos através de atitudes não violentas.

  • O

    pré-conceito das artes marciais aparecerem como lutas violentas se deve, em parte, pela forma

como elas são apresentadas nos filmes e na mídia em geral, como também, pelo aparecimento e difusão de outras lutas que, sem se preocuparem com o desenvolvimento dos princípios filosóficos e espirituais das verdadeiras artes marciais, buscam somente a superação e, às vezes, a destruição de seus adversários.

Antes de entrar eu tinha uma visão um pouco diferente, achava que era um pouco mais agressivo, mas não muito. Eu achava mais violento aquele, o jiu-jitsu, comenta Shisochen, lembrando

da existência de lutas marciais que são mais violentas.

Porém, Shisochen associa erroneamente o jiu-jitsu a outras lutas ligadas à imagem de porrada, selvageria, formação de gangues e brigas de rua. Pois para quem não sabe, conforme Almeida (2005),

  • o

    jiu-jitsu significa “caminho suave” e é uma defesa pessoal altamente eficiente, que imobiliza o

oponente sem lhe causar danos físicos.

Contudo, atualmente, uma série de novas modalidades, literalmente brigas, está aparecendo para alimentar a violência e denegrir a imagem das artes marciais. As pessoas confundem o espetáculo de barbárie e selvageria a que assistem com a filosofia antiviolência das artes marciais.

Segundo Almeida (2005, p. 11):

Com essas novas modalidades, cresce o nível de violência, alimentando a formação de gangues de jovens que procuram academias para dar uma “técnica” à selvageria que carregam dentro de si, pois reside aí o engano das

pessoas que generalizam arte marcial com porrada, já que a violência está dentro de cada um e não nas artes marciais.

Os filmes, os desenhos e a mídia influenciaram diversos entrevistados a terem uma visão do karate como esporte violento, conforme demonstram as seguintes falas:

Considerava o karate um esporte bem violento, porque via na televisão e até em desenhos, que

nossa, o karate batia e matava, daí achava o karate violento. Eu achava: agora eu entrei no karate, agora eu vou me defender, ninguém mais vai bater em mim, relata Seisan.

P a r a S a i f a u m p o u c o , m a i s p o r c a u s a d o s f i l m e s e m q u e e l e s m o s t r a m b a s t a n t e e s s e l a d o q u e a

pessoa vai lá e quebra todo mundo, e mata todo mundo, que o karate parece que é só uma briga

mesmo. Daí parece bem violento. Tem filmes que mostram direito o karate, mas tem filmes que

mostram só o lado violento.

Sanchin lembra que antigamente a gente via em filmes o pessoal iah e tal, detonava os outros.

Pelo que eu via em filmes, entre outras coisas, como, por exemplo, olimpíada, achava ele um

pouco violento, comenta Seienchen.

Infelizmente, como podemos observar, a maioria dos filmes e dos desenhos de artes marciais mostra apenas a aplicação de golpes violentos e as perícias técnicas dos lutadores, despreocupando- se, geralmente, dos fundamentos filosóficos e dos princípios de não violência das verdadeiras artes

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