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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 57 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.57

marciais.

Oliveira Filho (1999, p. 5), lembra que “não poucas pessoas possuem idéias fantasiosas do k a r a t e e o u t r a s a r t e s m a r c i a i s , c u l p a d e m u i t o s f i l m e s s o f r í v e i s d e p a n c a d a r i a q u e p r o l i f e r a r a m n a s

décadas de setenta e oitenta”.

A visão de violência nos filmes de artes marciais só não foi compartilhada por Seipai, ao relatar que, nos filmes via eles meditando assim, depois fazendo treino. Eu acho que nunca tinha pensado se

era violento ou não.

Portanto, devemos lembrar que, assim como a maioria dos filmes e desenhos sobre artes marciais explora o lado da violência, existem outros que nos ensinam o verdadeiro caminho, o lado da meditação, da busca do ser mais espiritual e da não violência.

Embora a maioria dos entrevistados tivesse uma visão pré-conceituosa do karate como sendo uma arte marcial violenta antes de conhecê-lo, alguns poucos já percebiam este verdadeiro caminho das artes marciais, relacionado à não violência, mesmo antes de seu ingresso no karate.

Não achava violento, eu achava que era exatamente isso; eu achava que ele podia controlar alguns instintos que eu tinha; e consegui, relata Sanseru, demonstrando que, para ele, o karate era, principalmente, uma alternativa de busca do autocontrole em relação a alguns impulsos agressivos.

Tanto para Gueksai-dai-it ao relatar que: porque desde pequeno eu já sabia isto aí, quanto para Seipai: porque já conhecia o professor e sabia que ele falava sobre as aulas e não parecia ser violento; a conceituação do karate como esporte não violento se deve, principalmente, por já

possuírem alguns esclarecimentos corretos das artes marciais, mesmo antes de seu ingresso nelas.

Apesar de ficar vendo nos filmes luta até que via um esporte bem light. Que falam dos outros esportes marciais que pulam, brigam, batem. Até quando não conhecia o karate achava muito tranqüilo, achava muito da paz, comenta Gueksai-dai-ni demonstrando que, embora vendo a

violência nos filmes de lutas, tinha para o karate uma visão de tranqüilidade e paz mesmo antes de conhecê-lo melhor.

Por fim, Teisho pensava que ele era só voltado mais para as competições, porque quando olhava no jornal sempre tinha competições de karate, olhava na TV era só competições que a gente via. A

gente não pensava que tinha mais alguma coisa além disso, mostrando que para ela o karate era simplesmente um esporte competitivo, semlevar em consideração se era ou não violento.

Portanto, segundo Oliveira Filho (1999), muitos chegam às academias com a idéia do que viram nos filmes, cheios de fantasias; outros, à procura da defesa pessoal, de mais autoconfiança; outros, ainda, por gostarem das coisas do oriente. Geralmente esses são os casos mais comuns. Mas o que esses grupos logo descobrirão é que o karate os levará a um fim comum: a filosofia do karate-do.

4.2.2 NO INÍCIO DA PRÁTICA DO KARATE

Quando a pessoa entra no karate ela pensa mais em como vai ficar mais forte ou como vai bater mais nas pessoas e depois disso vê que o karate não é isso, relata Teisho, demonstrando que a percepção do karate é, para maioria dos iniciantes, de um esporte mais agressivo e violento, que serve apenas para tornar seus praticantes mais poderosos fisicamente e hábeis lutadores. Porém, com o passar dos treinamentos, percebe-se que o karate é muito mais que simplesmente isto.

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