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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 58 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.58

A visão, pelos iniciantes, de que o karate somente ensina golpes de luta que podem ser usados para intimidar e agredir os adversários, nas mais diversas situações, é compartilhada por muitos entrevistados conforme podemos perceber nas seguintes falas:

Algumas pessoas entram no karate exatamente pensando que é só agressividade e vão acabar sendo apenas mais fortes, mais ágeis, resistentes, essas coisas. E isso de fato eles acabam se

tornando, mas eles aprendem a usar isso da maneira correta, relata Sanseru.

Os iniciantes entram no karate, em sua maioria, já a fim de querer brigar, só querem porrada, só querem brigar e acham os movimentos do karate muito legais assim para usar na rua, diz Suparimpei.

Para Gueksai-dai-it os mais novos têm mais agressividade e até porque eles estão pensando: eu tou fazendo karate, vou bater em todo mundo, um negócio assim.

Os iniciantes já entram pensando, vou bater em todo mundo, se algum assaltante vir vou

espancar ele, comenta Sanchin.

Conforme podemos observar, através destas falas, nas primeiras semanas de treinamento, é muito comum a falsa idéia de que o aprendizado do karate pode tornar o indivíduo numa espécie de super herói, num ser temido pelos inimigos e admirado pelos amigos, que pode enfrentar e vencer os mais diversos adversários.

Segundo Oliveira Filho (1993, p. 8) “o calouro chega à academia já com algumas idéias prontas e tantas outras dúvidas. Por exemplo: acha que logo nas primeiras aulas já levará uma surra e que em pouco tempo transformar-se-á em um super homem”.

Tanto os relatos de Teisho em que os iniciantes dão mais valor pra luta, pra parte física, pra eu

vou fazer tudo bem forte, quanto os de Sanchin em que os iniciantes querem realmente mais aprender a técnica de golpes, colocam a clara visão do karate ser, na sua fase inicial, mais voltado para o desenvolvimento do potencial físico do indivíduo. Nesta fase, geralmente, há um descomprometimento com os aspectos mentais e espirituais, necessários ao desenvolvimento da consciência do verdadeiro karateca. Mas isto não é prejudicial, pois o aspecto físico é que permite, ao iniciante, sua primeira compreensão da arte marcial e, se bem conscientizado, torna-se a base para os estágios posteriores.

Os iniciantes mal entram e já querem aprender vários golpes para sair na rua aplicando. Não tem noção do que tão aprendendo, e pior, na maioria das vezes, eles começam a aprender e já

querem aplicar, relata Gueksai-dai-ni, mostrando o desejo que o novato tem de alcançar, de forma

imediata, rápidos resultados nas suas performances físicas e técnicas e, principalmente, a ansiedade de tornar-se um hábil lutador reconhecido por todos.

Segundo Sasaki (1978,p. 23) “é muito comum que o principiante de karate, notando seu rápido

progresso, seja levado por uma onda de impetuosidade, sentindo a necessidade de pôr em prática os

c o n h e c i m e n t o s a d q u i r i d o s .

No karate, desta forma, observamos que, em muitos casos, o principiante chega na sala de treinamento tomado de curiosidade, apresssado em entrar na luta e desejando resultados rápidos, como nos filmes. Em outros casos, segundo Oliveira Filho (1993), o novato chega cheio de medo, inibido, ficando encolhido em seu canto. Diante daquilo que vê, em ambos os casos, podem advir

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