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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 59 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.59

desânimo, perplexidade ou um forte desejo de ir em frente.

Normalmente os iniciantes vêm com essa ânsia de briga e conforme vão vendo, vão aprendendo q u e o k a r a t e t e m e s s a f i l o s o f i a e t e m t o d a e s s a i d é i a v o l t a d a p a r a o i n t e r i o r , p a r a n ã o b r i g a r , v e j o

que eles se tornam pessoas mais calmas, menos estressadas e que brigam o menos possível, relata

Kururunfa mostrando que os karatecas passam por significativas mudanças durante o decorrer do tempo de treinamento.

  • O

    iniciante, geralmente, entra com idéias e concepções bastante diferentes do caminho correto do

karate. Muitas vezes, procura a prática das artes marciais com propósitos agressivos e de vingança. Mas o mais importante não é o motivo porque começou a praticar o karate, e sim que, conforme vá conhecendo os princípios filosóficos das artes marciais, possa mudar as concepções erradas e direcionar-se para o verdadeiro caminho do karate.

Além do aspecto de uma maior e mais descontrolada agressividade nos iniciantes, alguns entrevistados apontaram também a falta de postura e comprometimento apresentada por alguns karatecas novatos, conforme as seguintes falas:

L o g o q u e a p e s s o a i n i c i a l e v a m a i s n a b r i n c a d e i r a . D e p e n d e t a m b é m d a p e s s o a , t e m g e n t e q u e é

esforçado e que leva a sério o karate no início, mas a maioria começa a levar mais a sério depois que

começa a conhecer melhor, depois de praticar um tempo, aponta Saifa.

Eu vejo por mim, porque antes eu não prestava muita atenção e era bem desleixada, era só fazer assim de qualquer jeito, lembra Shisochen.

4.2.3 PRATICANTES COM MAIS DE UM ANO DE TEMPO DE TREINAMENTO

Não, não considero. Considero que ele é contra a violência e usa o meio da razão para

combater a violência comenta Suparimpei ao ser questionado se considera o karate um esporte violento.

Diante deste mesmo questionamento todos os outros entrevistados foram unânimes em afirmar, assim como Suparimpei, que não consideram o karate um esporte violento; inclusive aqueles que no início tinham uma visão pré-conceituosa do karate como uma luta violenta e que só procuraram sua prática para aprender uma luta para agredir e brigar.

Pois bem, como o karate ensina a como ser agressivo, ele não necessariamente ensina como ser violento. Ele consegue passar a quem aprende a só usar agressividade quando for necessária e não a ser agressivo o tempo todo. Ele funciona como um controlador, relata Sanseru, demonstrando que além do karate não ser um esporte violento ele também permite um melhor conhecimento e controle da agressividade.

É importante lembrarmos que a agressividade é necessária para podermos crescer e aprender. Portanto, segundo Freire (1997), o que nós temos é que educar essa agressividade para que ela passe a funcionar como uma mola de produção de vida, de conhecimento e não um instrumento de destruição no sentido da improdutividade.

Sanchin ao conceber se acha o karate violento, comenta: Considerava antes, mas não considero agora. Agora vi que é mais interiorização, estilo zen-budista, não agressivo. Desta forma ressalta que, após um determinado tempo de treinamento, a idéia do karate de uma luta violenta e que só

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