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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 60 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.60

desenvolve aspectos físicos, é substituída pela concepção de uma arte marcial que busca a harmonia do corpo-mente-espírito e a resolução de conflitos por meios não violentos.

Esta nova concepção do karate não violento é também defendida por Kururunfa ao dizer que: Agora vejo que ele tem uma filosofia e tem todo um contexto atrás. A briga é o que o karate menos tem.

Comparando o grau de violência do karate com os demais esportes Seienchen e Saifa comentam respectivamente:

Eu acho que o futebol mesmo é, às vezes, mais violento do que o próprio karate. Aqui a gente

não luta se batendo, a gente luta com consciência.

E x i s t e m e s p o r t e s m u i t o m a i s v i o l e n t o s q u e s ã o m u i t o m a i s p r a t i c a d o s c o m o o f u t e b o l , p o r

e x e m p l o , q u e t o d o m u n d o s e c h u t a , n i n g u é m r e s p e i t a n i n g u é m . N o k a r a t e e x i s t e o r e s p e i t o c o m q u e m está lutando, tu cumprimenta a pessoa e tal.

As colocações de Seienchen e Saifa ajudam a desmistificar a idéia do karate ser um esporte violento e exemplificam, através do futebol, que existem outros esportes que apresentam mais condutas violentas e um maior número de lesões entre seus praticantes.

Lembram também que, no karate, o aparecimento de atitudes violentas e lesões fica extremamente reduzido, principalmente, pelo desenvolvimento de atitudes de respeito ao adversário e pelo controle físico e mental.

Não considero o karate violento porque quando eu saio de lá eu acho que até saio mais calma. Assim tipo se tem no outro dia prova, eu chego em casa e estudo mais, e se chegasse direto, ia

estudando e já cansava. Eu sei que tenho menos tempo, mas fico mais preparada, eu acho, com a

cabeça mais livre de tudo que eu tava pensando antes de entrar no treinamento; relata Seipai mostrando que, para ela, o karate lhe dá mais calma e concentração, permitindo desta maneira ter, até, um melhor rendimento nos estudos. Os karatecas mais antigos têm menos agressividade, comenta Gueksai-dai-it ao comparar os mais veteranos com os iniciantes. Nesta comparação, também, todos entrevistados foram unânimes em afirmar que os karatecas mais antigos apresentam menos atitudes violentas e possuem uma agressividade mais controlada que os iniciantes.

Os mais antigos são mais espirituais, sabem os golpes, não usam muito da violência, sabem os momentos certos para ser usado, tem muito mais controle sobre si mesmo. Com esta reflexão Gueksai-dai-ni aponta que os mais veteranos se encontram num grau de consciência mais elevado, no qual os aspectos mentais e espirituais já preponderam sobre o componente físico.

Diversos outros entrevistados também corroboraram com a idéia de que os praticantes de karate, com o passar do tempo de treinamento, desenvolvem a evolução de suas consciências no sentido do verdadeiro espírito da arte marcial, passando suas prioridades do plano físico para o mental e deste para o espiritual, conforme se observa nas seguintes falas:

Os mais antigos eles pensam assim, pode ter até a parte física, mas também tem o outro lado, que é o lado mais reflexivo, comenta Teisho ressaltando a importância da reflexão, da visão dos dois lados, para o encontro da harmonia e de soluções que busquem culturas de paz.

Sanchin coloca que os mais antigos realmente buscam mais meditação, interiorização, lutam

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