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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 61 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.61

contra si, não contra um adversário, mostrando a importância da meditação, da busca do melhor conhecimento de si mesmo e de que o nosso maior desafio não é enfrentarmos os outros e sim o nosso interior, com todos os nossos medos, receios e fraquezas.

Os mais antigos, eles não simplesmente se preocupam em serem fortes como também se

preocupam em melhorar o corpo, a mente e o espírito, relata Sanseru identificando também a

necessidade de ter uma educação permanente no karate para tentar chegar mais perto do todo, da utópica, mas necessária, busca da perfeição.

Nesta busca Oliveira Filho (1999) lembra que o verdadeiro graduado saberá que aprendeu muita coisa, mas sempre deverá aperfeiçoar-se e cada vez mais se tornar mais aprendiz, mais atento no ouvir e mais disciplinado no treinar.

Seipai aponta que aqueles que tão um tempão já sabem que tu tá ali para aprenderes a falar contigo mesmo, para ti concentrar mais no que tu quer, ou seja, o karateca com o passar do tempo de

treinamento desenvolve um maior autoconhecimento que permite uma busca mais consciente dos caminhos que deve percorrer e o enfrentamento das adversidades com atitudes mais reflexivas e menos impulsivas e tempestuosas.

Complementando a visão de não violência dos karatecas mais veteranos Oliveira Filho (1997) coloca que não se admite um faixa preta brigão, vagabundo, pelo contrário, um faixa preta deve ser uma pessoa de respeito, de boa vontade. E por conhecer uma forma de luta jamais deverá utilizá-la covardemente.

4.2.4 INFLUÊNCIAS DAS COMPETIÇÕES SOBRE AGRESSIVIDADE/VIOLÊNCIA

A percepção da influência da competição sobre a agressividade/violência nos karatecas foi o item que mais dividiu as opiniões dos entrevistados. Praticamente a metade considerou a competição como fator influenciador no aumenta da agressividade/violência dos praticantes de karate e a outra metade que ela não exercia nenhuma influência.

Eu acho que os que participam de competição tão mais para ganhar nota, para ganhar medalha,

e os que não competem eles tão para aprender, para treinar e ter uma consciência maior; comenta

Shisochen assinalando que se o karateca tiver seu treinamento muito mais voltado para a competição, pode acabar esquecendo a verdadeira essência do karate e priorizar em demasia a conquista de medalhas, de glórias ilusórias e passageiras e, em razão disto, ficar mais sujeito a atitudes agressivas.

  • O

    competir só para ganhar representa, para Mosquera e Stobäus (1984), um elemento altamente

nocivo. O ganho, em si, leva a desencadear elementos agressivos de prepotência e poder e não cooperação. Devemos lembrar que nas competições sempre alguém ganha ou perde, esta rotina, segundo Sasaki (1998), é semelhante a vida de um administrador financeiro, onde alguém ganha dinheiro enquanto outra pessoa perde dinheiro. Sendo assim não deve se preocupar somente em treinar para vencer e sim treinar a arte marcial como uma forma de buscar o verdadeiro caminho da razão, de buscar a grande paz.

  • O

    karateca de competição realmente é mais agressivo, porque ele busca o ponto, às vezes,

enganando o juiz, enfia mesmo uma porrada para machucar o adversário. Eles têm diferença sim,

são mais agressivos, buscam mais a medalha. Não seguem o esporte pela interiorização. Relata

Sanchin destacando que se o karateca treinar apenas para competir e tornar-se campeão, ele estará

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