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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 62 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.62

sujeito, inclusive, a usar práticas ilícitas para alcançar a conquista de ser o número um, mesmo que isto represente tomar o sentido contrário do verdadeiro karate.

Conforme Gaertner (1999, p. 60):

Numa cultura que cultua o número um, onde só o primeiro lugar é valorizado, e onde só o resultado interessa, a

competição passa a ser nociva e altamente prejudicial. Vira uma grande armadilha para aqueles que treinam só em função do resultado. O treinamento vira apenas um meio para se atingir um objeto a qualquer custo, a medalha de ouro.

Tudo o mais passa a ser secundário.

Pelo que eu vejo de algumas outras academias, que são voltadas só pra competição, é um karate

muito raso, muito sem filosofia, sem o que o karate realmente precisa, que é a filosofia, que é o

karate interior; comenta Kururunfa abordando que se o karate ficar voltado somente para competição ele ficará incompleto, inclusive, podendo esquecer dos seus principais objetivos, que não são os ganhos de medalhas e glórias, e sim a conquista espiritual na transformação de um ser humano melhor.

Nos locais voltados somente para competição existe, atualmente, segundo Sasaki (1978), uma tendência do predomínio das forças brutas, da busca imediata de vitórias promocionais, menosprezando-se cada vez mais a técnica e, principalmente, a formação espiritual, grau ou caráter do indivíduo.

Seisan percebe uma relevante diferença entre os praticantes que competem e os que não competem, comentando que: o pessoal que tá mais preocupado com competição ele não olha o karate atrás, como é que foi, quem fundou o karate. Só mais preocupado com competição e não dá muito valor atrás. E quem não participa de competição, a maioria, já sabe a historia do karate, tudo o que

aconteceu.

Alguns karatecas que participam de competição não tem tanta filosofia, tanta essência, o karate

deles é mais para ganhar medalhas, para competir. Mas é que não dá para generalizar, porque tem muita gente que gosta de participar em competição e não tá lá somente por medalha e tal. Então depende mais da pessoa, relata Saifa, demonstrando que assim como existem karatecas competidores que visam somente a vitória como importante, existem outros que, mesmo competindo, não se desviam do verdadeiro caminho do karate.

Portanto, para os competidores que procuram a essência do verdadeiro karate, o objetivo não é apenas ganhar ou perder. O importante é, segundo Sasaki, (1998, p. 16), “buscar o equilíbrio entre o consciente e o inconsciente, ver o que é certo e o que é errado, se esforçando sempre para melhorar

cada vez mais. Melhorar não apenas o seu golpe (parte física), mas também o seu interior (parte

mental)”.

Assim como Saifa, Teisho também considera que o aumento ou diminuição da a g r e s s i v i d a d e / v i o l ê n c i a e m k a r a t e c a s c o m p e t i d o r e s d e p e n d e m u i t o d a p e s s o a , t e m p e s s o a s q u e e n t r a m

n o k a r a t e e j á t ã o c o m a q u e l e p e n s a m e n t o a s s i m : e u v o u g a n h a r c o m p e t i ç ã o , v o u p r a c o m p e t i ç ã o e

tem que tirar o primeiro lugar, e têm outros que não, que entram e vão fazendo e aí quando chega

perto da hora da competição eles pensam: agora eu vou me voltar mais para competição e aí eles fazem as coisas mais para competição.

Para outros, como Suparimpei, que é o praticante mais graduado entre os entrevistados, não há

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