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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 63 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.63

diferença de agressividade/violência entre os karatecas que participam e os que não participam de competições. Suparimpei relata que os karatecas que visam competição não só visam a competição- competição, eles também não deixam o lado real, filosófico do karate, eles também querem a sua

parte. O karate também funciona no controle agressivo com eles.

Concordando com a visão de Suparimpei, Kururunfa, que é a segunda mais graduada entre os entrevistados, comenta: Os que eu conheço não noto diferença, porque eles sabem lidar com o karate

competição e o karate filosofia.

Deste modo podemos perceber que com o amadurecimento da consciência do verdadeiro espírito do karate, o significado e os objetivos de competir também evoluem. Nesta evolução, segundo Sasaki (1978) o ganhar ou perder passam a ser apenas o resultado do confronto da dimensão técnica e tem nível secundário, apenas existindo para aferir o estágio de progresso de cada um dos competidores, principalmente, na busca do seu potencial da força interior.

Os karatecas que praticam competição sabem se controlar mais, ficam mais na deles, sabem os g o l p e s a s e r e m u s a d o s . O s q u e f a z e m e n ã o p r a t i c a m a l u t a s ã o u m p o u c o m a i s e m p o l g a d o s , f i c a m

mais querendo briga, relata Gueksai-dai-ni apontando desta forma que os karatecas que participam de competição tem um menor potencial de violência decorrente, principalmente, do melhor controle que adquirem na aplicação dos golpes.

Os que participam de competições na luta têm mais controle, eles sabem se mover na luta. Sabem se defender melhor; comenta Seienchen reforçando o enfoque de Gueksai-dai-ni.

Seisan, que já foi campeão estadual de kumite (luta), também esclarece que ser um excelente competidor não significa ser um bom lutador de rua ao comentar que: é bem diferente a luta de competição com a luta normal, assim uma luta de rua, é bem diferente também.

Por fim, devemos conscientizar de que a competição não deve, segundo Mosquera e Stobäus (1984), ser necessariamente o que a sociedade capitalista coloca, isto é, ganho ou perda. A competição deve repousar na compreensão, admiração e aceitação do desempenho do adversário.

Conforme Sasaki (1978, p. 23):

  • O

    karate não visa somente a vitória ou derrota em competições, mas, através dos esforços e das experiências físicas

e mentais, obter o real brilho do ser humano.

[...] O karate tem como objetivo não só a técnica, mas também nos

ensina a tirar o máximo proveito da nossa força interna.

4.2.5 ATITUDES DE AGRESSIVIDADE/VIOLÊNCIA DE KARATECAS

Os entrevistados ao serem questionados se já haviam enfrentado alguma situação usando de agressividade/violência, responderam que: quatro nunca tiveram atitudes agressivas, cinco tiveram atitudes agressivas somente antes de entrar no karate e três tiveram atitudes agressivas antes e após terem entrado no karate.

Kururunfa, que já pratica karate a mais de cinco anos e nunca teve atitudes em que tenha usado de violência, justifica o seu controle com a seguinte fala: Acho que até por fazerkarate eu sempre soube contornar situações que poderia usar violência e falar ao em vez de usar agressividade ou os conhecimentos técnicos que adquiri. Eu aprendi a lidar melhor com situações assim e não precisar brigar nunca.

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