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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 64 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.64

Seipai, Saifa e Seienchen simplesmente responderam que nunca tiveram atitudes de agressividade/violência.

Sanseru, que após entrar no karate não teve mais atitudes em que tenha usado de violência, comenta de um caso anterior ao seu ingresso neste esporte: Não foi grande coisa, acabou rápido. Foi uma briga acidental, eu empurrei e o cara acabou dando de cara na grade, e daí né, deu lá, o cara

veio para cima de mim eu fui para cima dele.

Quando tava no primeiro, segundo e terceiro ano do ensino fundamental eu já era bem violento.

E acabei brigando por coisas que o pessoal ficava me sacaneando, por coisas que não precisava, e

fui chamado para a diretoria varias vezes. Só batendo nos caras.

Comenta Suparimpei se referindo a suas atitudes antes de ingressar no karate. Depois que entrei no karate não usei nenhuma violência, não usei de meios agressivos. Depois que entrei no karate nunca mais briguei, complementa Suparimpei, se referindo aos mais de cinco anos em que já está no karate.

Gueksai-dai-ni, lembrando de antes de seu ingresso no karate, relata: Já, no colégio. Um guri

ficou me perturbando, me estourei e já parti para cima dele. Aí não me controlei e tiveram que me

separar. Em seguida, ao se referir a depois de ingressar no karate, complementa: Nunca fui por esse lado de briga, violência. Sempre fico na minha. Procuro ficar longe desses negócios, de violência.

S ó q u a n d o b r i g u i n h a d e c o l é g i o a s s i m , d a í t i n h a u s a d o v i o l ê n c i a , m a s n ã o é v i o l ê n c i a v i o l ê n c i a

,

relata Seisan se referindo ao período anterior ao karate. Depois completa: Não, é até engraçado porque nunca, nunca enfrentei situação usando de violência depois que entrei no karate.

Uma vez eu fui numa festa e vieram uns caras contra mim, contra o meu grupo de amigos. Ficamos na nossa, ficamos tranqüilos, não aconteceu nada mais eu cheguei a ver os caras com faca e

tal, soqueira. O conflito não teve, só troca de olhares. Mas se tivesse ficaria com meus amigos ali

firme e forte. Relata Sanchin demonstrando a sua predisposição ao confronto antes de ingressar no karate. Não, não usei nada de violência. Do contrario tou bem mais calmo, mais tranqüilo, completa

Saifa se referindo ao período posterior ao ingresso no karate.

Nestes cinco últimos casos, em que houve atitudes agressivas ou violentas somente antes de entrar no karate, percebe-se como este esporte, considerado por muitos como um gerador de violência, é na verdade um excelente instrumento para a construção de culturas de paz, principalmente, pelo controle positivo que exerce sobre a agressividade de seus praticantes e pelo aumento do aspecto espiritual, que permite sempre refletir sob os mais diversos olhares antes agir impulsivamente, e assim, encontrar soluções não violentas para a resolução de conflitos.

Na prática das artes marciais, o uso da agressividade é estimulado, porém controlado.

  • O

    praticante de artes marciais, segundo Araújo (2005, p. 23), “conhece melhor a si mesmo, pois

entra em contato com o seu corpo, seus medos, limites e potenciais e, portanto, controla melhor seus

impulsos agressivos, aprendendo a usar sua agressividade da melhor forma”.

As artes marciais também proporcionam, conforme Almeida (2005), um crescimento espiritual e

  • o

    autocontrole pela conscientização de que o uso indevido da técnica pode causar sérias lesões.

Gueksai-dai-it, que é o entrevistado com menos tempo de treinamento no karate, lembrando-se

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