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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 65 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.65

de uma situação em que usou de violência antes de começar a praticar este esporte, relata: uma vez que briguei com meus colegas que moravam no meu prédio. Em seguida, referindo-se ao período posterior ao ingresso no karate, comenta: Eu não, mas do meu lado já deu briga de colega meu com

outros caras do colégio. Aí procurei ajudar meus colegas a bater nos caras.

Só com o meu irmão a gente brigava. Era briga de irmão, relata Teisho, se referindo as suas atitudes de agressividade/violência tanto antes quanto depois de ingressar no karate.

Para Shisochen antes de entrar no karate só algumas discussões, mas nada muito sério, tipo, não gostei disso e daí tu brigar com a pessoa. E depois, se referindo ao período posterior ao ingresso no karate, comenta: as mesmas coisas de antes, só pequenas discussões. Eu acho até que comecei a evitá-las porque tu pensas que não tem porque brigar por coisas bobas. Eu acho que o karate te faz pensar um pouco mais.

Observa-se nestes últimos casos em que houve atitudes de agressividade/violência após o ingresso no karate, que o único mais expressivo ocorreu, coincidentemente, com o karateca com menor tempo de treinamento, e que os outros foram pouco relevantes e, até, amenizados pelo melhor controle que o karate começa a manifestar nas atitudes de seus praticantes.

Portanto, segundo Freire (1997, p. 77):

Viver a agressividade é usar a agressividade de modo produtivo. Isso vale dizer: enfrentando os conflitos. O que não é a mesma coisa que dar murro em ponta de faca ou achar que é possível ou conveniente dizer tudo o que se queira a qualquer um, em qualquer lugar. É preciso aprender a reconhecer o que pode e deve ser dito Agora, o que poderá ser

dito daqui a seis meses, o que nunca poderá ser dito, que determinado espaço não nos serve mais e devemos procurar outro se queremos continuar a exercer nossa liberdade.

4.3 A MOTIVAÇÃO PARA PRATICAR O KARATE

Esta categoria discorre sobre os motivos que levaram os entrevistados a iniciar a prática do karate, através das seguintes subcategorias:

A motivação para praticar o karate

      • 4.3.1

        Gosto pelas artes marciais e sua filosofia

      • 4.3.2

        Busca de uma atividade física

      • 4.3.3

        Acompanhar um amigo ou parente

      • 4.3.4

        Aprender uma luta para brigar

Contudo, antes de saber o porquê do ingresso no karate pelos entrevistados, é importante lembrar que, na escola pesquisada, o aluno tem a opção de escolher, de acordo com seus gostos e aspirações, a modalidade esportiva que irá freqüentar na disciplina de educação física.

Desta forma, a escolha para fazer aulas de karate é opcional e voluntária, e esta possibilidade me parece de suma importância no contexto escolar, o qual deve proporcionar aos alunos a opção da escolha de atividades de seus interesses, para assim sentirem-se motivados a obterem um melhor desenvolvimento livre de pressões e imposições, tão comuns no nosso universo escolar.

Para Huertas (2001) a motivação é um processo psicológico que determina o planejamento e a atuação do sujeito, e que só se pode aplicá-lo quando nos referimos ao comportamento humano que tenha um grau de voluntariedade e que se dirija para um propósito pessoal mais ou menos

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