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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 68 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.68

exercício físico, segundo Otta e Bussab (1998), serve para liberar tensões e energias agressivas acumuladas aos poucos dentro de nós, ou seja, o exercício físico representa uma válvula de escape não-destrutiva.

4.3.3 ACOMPANHAR UM AMIGO OU PARENTE

Eu recém tava entrando na escola e um colega meu me falou que ele ia fazer. Eu não tava fazendo nada por fora resolvi entrar para aprender alguma coisa diferente e acabei gostando e fiquei, comenta Seipai colocando que seu motivo inicial para ir treinar karate se deu pelo simples fato de querer acompanhar um amigo.

  • O

    mesmo aconteceu com Seienchen conforme podemos observar pelo seu depoimento:

Foi um amigo meu do colégio que me falou que era legal e eu resolvi entrar.

De forma semelhante, o motivo do ingresso no karate para Teisho e Kururunfa, se deu para acompanhar, nestes casos, um parente, conforme as seguintes falas:

Foi porque o meu irmão tinha entrado e aí eu pensei, o karate deve ser um esporte maioral, aí eu peguei e entrei. (Teisho)

  • O

    meu irmão fazia karate e o meu pai achou que seria bacana, até para parar com a

agressividade que eu tinha e funcionou. (Kururunfa)

Desta maneira, podemos observar como o vínculo de amizade ou parentesco representa uma forma de dar maior segurança para o enfrentamento do desconhecido e de como é importante estarmos juntos de grupos que nos possibilitem uma melhor noção de identidade e de pertencimento.

Para estes entrevistados foi apenas uma motivação extrínseca que lhes levou a ingressar no karate, mas sua permanência nele, de forma efetiva, só ocorreu quando começaram a interiorizar os motivos de sua prática, ou seja, quando começaram a sentir prazer e comprometimento com o aprendizado do karate.

4.3.4 APRENDER UMA LUTA PARA BRIGAR

Eu olhei na televisão e achava que era luta, que era violento, e eu gostava destas coisas, mas daí eu entrei e era uma coisa totalmente diferente, comenta Seisan demonstrando que para ele o motivo de aprender karate, era o de aprender uma luta com poderes altamente destrutivos, igual as que aparecem em alguns filmes de artes marciais.

  • O

    pré-conceito que o karate carrega faz com que muitos procurem a sua prática, simplesmente,

para se transformar em hábeis lutadores, que possam subjugar os seus inimigos com da violência de seus golpes. Portanto, no ensino do karate, para combatermos esta visão pré-conceituosa, devemos transformar a violência em não-violência, promovendo a conscientização das pessoas sobre o problema e desenvolvendo capacidades de manejo adequado das situações de risco de conflitos.

N o i n í c i o t i n h a u m c a r a q u e t a v a m e j u d i a n d o , q u e r i a b r i g a r c o m i g o . A í e u p e n s e i , b o m , v o u

fazer karate para acabar com esse cara. Só que aí eu acabei não brigando com ele, porque o karate me controlou isso. Acabei gostando do karate e tou até hoje. Um tempão já que faço karate. Senão teria dado um pega no guri. Com este relato Suparimpei mostra que seu motivo para ir treinar karate foi o de aprender uma luta violenta e destrutiva, e assim, poder vingar-se de seus oponentes.

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