X hits on this document

PDF document

Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 70 / 82

181 views

0 shares

0 downloads

0 comments

70 / 82

Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.70

no sentido da improdutividade.

A prática do karate e das artes marciais em geral envolve agressividade, mas também envolve algo que, para o leigo, é mais difícil de ser observado que é o controle da agressividade. Desta forma, no karate, a agressividade controlada para fins úteis passa a caminhar no sentido oposto da violência.

Portanto, conforme Araújo (2005, p. 23):

Violência e artes marciais não combinam. O artista marcial treina o bom uso da agressividade, treina a não violência. Através da prática correta da arte marcial, torna-se uma pessoa mais equilibrada, determinada, paciente e preparada para os desafios da sociedade moderna. É uma pessoa capaz de reagir de forma efetiva e objetiva a situações adversas sem perder o controle.

Comecei a fazer karate e nunca mais tive desentendimento, nada, em colégio nada.

Foi, para mim, a melhor coisa ter entrado no karate. Ele ajudou um monte no controle da

agressividade, relata Seisan constatando, através de sua fala, que o controle da agressividade influencia também na melhoria do convívio social, em especial no meio escolar.

Na sociedade atual vivemos inúmeros conflitos geradores de desentendimentos que dificultam o convívio entre as pessoas. Segundo Sasaki (1998), muitos quando são agredidos ou ofendidos não conseguem suportar o estado de medo, e acabam partindo para um ato de ignorância como bater ou puxar uma arma, jogando fora a preciosa qualidade de viver ou deixar os outros viverem. Desta forma não conseguem controlar o grau de agressividade que todo o ser humano possui e pior, acabam se transformando em pessoas covardes, que podem até fazer o uso de uma técnica de defesa para atacar uma pessoa frágil.

No convívio social a agressividade positiva permite que possamos construir nossa identidade, liberdade e autonomia. Uma pessoa precisa de agressividade para construir seu pensamento próprio, divergir, questionar e não ser passiva ou omissa diante das dificuldades.

Para Freire (1997, p. 78) “autonomia não é dada; liberdade não se ganha. É preciso conquistá-

las, lutar por elas. A agressividade é que me permite rebelar-me contra o autoritarismo. Por isso eu repito que não existe ato mais agressivo contra o outro do que o silêncio omisso”.

Controlar positivamente a agressividade não significa ser passivo ou deixar a raiva acumular dentro de nós mesmos. Conforme Otta e Bussab (1998), a cada problema que se apresenta, em vez de engolir sapo e não dizer nada se deve manifestar realisticamente o sentimento de desagrado, na medida certa. Ao agir dessa forma a pessoa está sendo assertiva, em lugar de agressiva, dando oportunidade ao outro de reconsiderar a sua forma de agir.

Eu acho que, no geral, diminui um pouco a agressividade assim quando a pessoa começa a conhecer melhor o karate, a filosofia, percebe que a violência não vai levar a nada, que a pessoa tem

que se controlar. De acordo com este relato de Saifa, percebe-se que o controle da agressividade começa de maneira significativa quando o karateca começa a conhecer melhor a filosofia das artes marciais.

  • O

    karate através de seus treinamentos ajuda o aluno a desenvolver muitas habilidades e através

de seus princípios filosóficos a desenvolver importantes qualidades. Por isso é fundamental que os dois andem juntos para que, com o tempo, o praticante domine um sistema poderoso de defesa

Document info
Document views181
Page views181
Page last viewedSat Dec 03 00:27:57 UTC 2016
Pages82
Paragraphs1591
Words42749

Comments