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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 71 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.71

pessoal, sem se tornar agressivo ou violento.

Apesar do karate ficar fazendo movimentos de ataque e defesa, acredito que o karate iniba o aluno de agredir um ao outro. Deixa mais tranqüilo, percebe que precisa controlar movimentos, ter mais paz para dentro de si. Comenta Gueksai-dai-ni colocando que o karate, além de controlar a agressividade e não permitir que ela seja usada para fins destrutivos, também torna seus praticantes pessoas mais calmas e tranqüilas.

Consoante a este posicionamento Kururunfa relata: Eu acho que é um esporte que, pelo

c o n t r á r i o , a l i v i a o e s t r e s s e e a v i o l ê n c i a d a s p e s s o a s . E u c o l o c o a a g r e s s i v i d a d e n o s t r e i n o s e m e tornei uma pessoa bem mais calma.

Na estressante e agitada sociedade atual, é fundamental encontrarmos meios, como as artes marciais orientais, que tornem as pessoas mais calmas e tranqüilas para viverem com menos tensões e angustias o seu dia-a-dia. A calma também permite que possamos, diante de uma situação de conflito, refletir mais sabiamente e, desta forma, encontrar com mais facilidade soluções não violentas na sua resolução.

Shisochen diz: o karate me aumentou responsabilidade, concentração, e força. Fala esta que

destaca a importância de sermos mais responsáveis para tornarmos melhores nossas relações com os outros.

A responsabilidade tem que estar sempre presente junto do controle para podermos melhor definir os limites. E, segundo Gaertner (1999), a diminuição de violência está intimamente associada à melhoria da noção de limites.

Como já vimos, o controle da agressividade é obtido, principalmente, pela educação da agressividade. Dito isto, devemos refletir que cabe, não somente as artes marciais, mas a todos os educadores a tarefa de proporcionar esta educação, conforme nos aponta Freire (1997, p. 80), ao dizer que:

A função do educador é promover espaços para que a agressividade de seus alunos gere a rebeldia produtiva de que eles precisam para poder construir seu conhecimento, para aprender. Um dos movimentos essenciais do educador no sentido de promover essa educação da agressividade é criar na sala de aula um espaço de interação onde as diferenças e os conflitos possam ser vividos. O professor não pode escamotear as diferenças e os conflitos. Não pode fingir que não está vendo. As diferenças e os conflitos têm de ser falados se queremos educar a agressividade.

4.4.2 A VISÃO ESPIRITUAL

  • O

    karate quando é mal praticado, quando a pessoa não sente a essência do karate, ele pode

g e r a r u m p o u c o d e a g r e s s i v i d a d e n a p e s s o a , p o r q u e n ã o d e i x a d e s e r u m a l u t a . A g o r a s e e l e é

praticado com sua essência, com toda a filosofia que o engloba, automaticamente a pessoa fica

menos agressiva, porque ela percebe que, brigar ou não, não vai levar a nada.

Comenta Saifa destacando que, na construção de um karate não violento, é fundamental o conhecimento dos seus princípios filosóficos, principalmente, da sua essência mais espiritualista de mundo.

Com esta idéia colabora Sanseru ao relatar: existem aqueles que seguem bastante a filosofia e não praticam a violência.

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