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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 72 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.72

Ao contrário do que se pensa, em decorrência das idéias pré-conceituosas sobre a violência das artes marciais, o karate, desde o início, não procura como fim maior a formação de um hábil lutador ou o desenvolvimento das ganâncias materiais, e sim, a elevação da consciência e o crescimento harmônico dos aspectos físicos, mentais e espirituais.

Conforme Oliveira Filho (1999), o karate é a arte que procura encontrar o “vazio” através do desenvolvimento do controle mental e espiritual, e da constante busca pela harmonização, abrangendo a alma, o corpo e a mente de seus praticantes.

Se buscamos a paz, devemos procurar esta harmonia não somente como seres individuais, mas segundo Schaefer (2003, p. 12), “num mundo no qual o corpo/mente/espírito estejam conectados,

possibilitando captarmos nossa sintonia com a totalidade e sentirmos que somos chamados ao ser pleno e, não, ao pedaço de ser”.

A concepção de totalidade, como busca o pensamento das artes marciais orientais, é de extrema importância para a construção de um ser humano melhor que viva em harmonia com os outros e com

  • o

    mundo. Infelizmente, segundo Mosquera e Stobäus (1984), em muitos esportes, em especial no

desporto profissional e competitivo, algo que parece não ser levado em conta são, exatamente, os aspectos intelectuais, emocionais e espirituais.

Por outro lado, as artes marciais orientais têm, desde as suas origens, o pensamento da totalidade e do ser humano integrado as energias do universo. Mesmo nos tempos dos samurais, em que os confrontos mortais eram uma constância, o respeito à vida e à morte e o pensamento de não agressão já se faziam presentes. A visão dos samurais é bem colocada por Sasaki (1998, p. 8) no seguinte relato:

Não mate e nem seja morto. Eduque o bandido transformando-o numa pessoa boa, útil à sociedade. Em última

instância, caso não tenha mais esperanças, extermine-o e assim o morto se transformará em vazio ou universo, salvando- se de uma vida infernal. É através do respeito e agradecimento pela vida que se conseguirá vencer as tentações da ira, do

desejo infinito da ganância e da ignorância.

T e m q u e e n t e n d e r q u e o k a r a t e n ã o é p a r a v i o l ê n c i a , é p a r a t i s e e n t e n d e r m e l h o r , c o n s e g u i r s e

concentrar mais no que tu queres, ter mais paciência, tranqüilidade, nos diz Seipai, demonstrando

que somente nos conhecendo teremos um melhor controle sobre nossas ações e mais tranqüilidade na resolução de inquietações e conflitos.

A busca do autoconhecimento no karate começa pela dimensão física ou exterior, no momento em que se passa a conhecer e dominar melhor as potencialidades de cada parte de nosso corpo e de nossas atitudes. Mas este autoconhecimento só se torna mais significativo quando iniciarmos a compreensão de nosso eu interior.

Porém esta busca da compreensão de quem somos não é uma tarefa fácil de ser realizada. S e g u n d o C h u g ( 1 9 9 9 , p . 1 1 4 ) , a s p e s s o a s s ã o c o n s t a n t e m e n t e i l u d i d a s p o r s e u a m b i e n t e , s u a s

mentes impuras e aversões passadas, o que as impede de dominar-se como gostariam. Todos nós

deveríamos compreender quem somos, fazer o melhor possível nossos papéis e ser nossos próprios

m e s t r e s .

A busca do melhor conhecimento de nosso interior repercutirá em mudanças significativas, tanto no desenvolvimento do nosso eu pessoal quanto na relação com o meio que nos cerca. Desta forma

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